Manchetes dos jornais domingo 19-10-2025
Edição de Chico Bruno
Manchetes dos jornais domingo 20-10-2025

CORREIO BRAZILIENSE – Um golpe no coração de Brasília
GLOBO – Juro alto limita alcance de pacote para casa própria
FOLHA DE S.PAULO – Pobre estuda mais, mas renda não sobe; 1/3 segue no Bolsa Família
O ESTADO DE S.PAULO – De cada 10 projetos, 8 não estimam impacto nos cofres públicos
Valor Econômico – Não circula hoje
Destaques de primeiras páginas e fatos mais importante
Violência urbana - A morte do jovem Isaac Augusto Vilhena, assassinado na entrequadra da 112/113 Sul por causa de um telefone celular, consternou os moradores da capital federal. Muitos estão chocados com o crime ocorrido em uma área até então considerada segura. Horas depois do latrocínio, vizinhos renderam homenagens ao adolescente de 16 anos, frequentador de igreja e estudante do Colégio Militar de Brasília. Isaac estava em uma atividade tipicamente brasiliense — brincava com um amigo na quadra esportiva local — quando um grupo de adolescentes anunciou o assalto. Esfaqueado ao tentar impedir que os delinquentes levassem o seu telefone celular, Isaac morreu cerca de uma hora depois do ataque. O velório do jovem está marcado para hoje, às 14h, no cemitério Campo da Esperança.
Otimismo moderado - O governo planeja liberar R$ 37 bilhões com o novo modelo de financiamento habitacional lançado este mês, que beneficiará sobretudo a classe média, segmento em que as vendas de imóveis novos caíram 20% este ano. Executivos do setor comemoram as medidas como um pontapé inicial, mas alertam que as altas taxas de juros, com a Selic no patamar mais alto em quase 20 anos, continuam sendo um gargalo, porque encarecem os benefícios. A Associação de Incorporadoras estima que a cada queda de 1% nos juros, mais de 160 mil famílias se tornam elegíveis para financiar um imóvel.
Sinuca de bico - Segundo a FGV Social, na última década os anos de estudo da metade mais pobre do Brasil saltou 22%, mas a renda aumentou apenas 4%, refletindo o difícil período econômico. Só recentemente, entre 2021 e 2024, isso mudou: o rendimento dos mais pobres aumentou 31,3%, e a escolaridade, 5,3%. Quem entrou no mercado antes disso, no entanto, tem mais dificuldade para obter um emprego formal agora. Ao longo de 20 anos, a Folha acompanha duas famílias beneficiárias do Bolsa Família em Jaboatão dos Guararapes (PE), na comunidade Suvaco da Cobra. Elas espelham o que pesquisas sobre pobreza, educação e mobilidade revelam do Brasil em um período de ascensão econômica até 2010, a forte recessão de 2016-2017 provocada pelo governo Dilma Rousseff (PT) e a pandemia.
Gastos sem controle - Só dois em cada dez projetos com impacto nas contas públicas em tramitação no Congresso foram apresentados com estimativa de quanto custarão, conforme estudo do Movimento Orçamento Bem Gasto. A iniciativa reúne especialistas, autoridades e empresários. Recentemente, o grupo lançou um manifesto defendendo transparência, desobrigação de despesas, revisão de privilégios, redução de emendas parlamentares e uma nova reforma da Previdência. Entre os signatários, estão os economistas Paulo Hartung, Persio Arida, Edmar Bacha, Armínio Fraga, Henrique Meirelles, Mailson da Nóbrega, Marcos Mendes e Elena Landau. O levantamento analisou propostas protocoladas no Legislativo federal entre 2011 e 2025, sendo todas entre 2023 e agosto deste ano e algumas selecionadas e consideradas mais emblemáticas anteriores a esse período. A análise aponta um forte apetite do governo federal e dos parlamentares por projetos que criam ou ampliam benefícios, auxílios e isenções — com aumento da quantidade conforme as eleições se aproximam — sem demonstrar os custos das medidas para a sociedade, ferindo a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
Redes definem escolha do eleitor - O novo campo de batalha da política brasileira tem hashtags, feed e stories. Nas eleições de 2022, o desempenho no Instagram foi capaz de antecipar o resultado das urnas com até 92,7% de precisão, segundo levantamento do Grupo de Pesquisa em Comunicação Política (COMP) da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). O Correio teve acesso ao relatório das campanhas digitais para o Congresso Nacional: Como as mídias sociais se relacionam com o voto para Deputado Federal em 2022, que estará disponibilizado, a partir de amanhã, no site da Editora PUC-Rio. O levantamento constata que, em 74% dos estados, houve correlação direta entre o engajamento nas redes sociais e o número de votos. O estudo analisou as 513 campanhas vitoriosas para deputa do federal, cruzando bases públicas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com métricas de desempenho no Facebook e no Instagram, obtidas via CrowdTangle, ferra menta de monitoramento do grupo Meta — que controla as duas redes sociais sobre as quais o relatório se baseia. Foram examinadas interações orgânicas, anúncios pagos e alcance total de publicações durante o período eleitoral. O resultado mostra que em nove estados (33%), a relação entre redes e votos foi forte; em sete (26%), moderada; e em quatro (15%), fraca. Apenas em uma minoria das unidades da Federação o impacto das mídias sociais foi estatisticamente irrelevante.
Em Minas, engajamento alcança o maior índice do país - De acordo com o relatório As campanhas digitais para o Con gresso Nacional: Como as mídias sociais se relacionam com o voto para Deputado Federal em 2022, Minas Gerais é um caso a ser destacado. Isso porque, pelo levantamento, a correlação entre engajamento e votos atingiu o índice mais alto do país. E a razão disso tem nome e sobrenome: o deputado Nikolas Ferreira (PL). Eleito com 1,49 milhão de votos, tornou--se símbolo de uma nova geração de políticos que construíram a própria base eleitoral nas redes. Outro exemplo revelador vem de Goiás, onde o deputado Gustavo Gayer (PL) obteve o maior Índice de Eficiência Financeira (IEF) do estado, com 1,645 votos por real gasto em campanha, evidenciando o poder multiplicador da presença digital. No caso da deputada Silvye Alves (União Brasil), ela obteve a melhor performance no Instagram entre os eleitos em Goiás, o que reforça o papel das redes na ampliação da visibilidade política de mulheres.
Lula avisa que ninguém “fala grosso” com Brasil - No aulão preparatório para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), em São Bernardo do Campo (SP), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, ontem, que nunca mais um presidente de outro país deve “falar grosso” com o Brasil. A referência era na direção do líder norte-americano Donald Trump, com quem conversou por telefone no último dia 6. Eles se encontraram nos bastidores da Assembleia-Geral das Nações Unidas, em 23 de setembro, e apesar do breve contato, combinaram em dialogar. Para uma plateia composta de estudantes e militantes do PT, Lula aproveitou para surfar na onda que lhe restabeleceu popularidade com a defesa da soberania brasileira por conta do tarifaço de 50% imposto às exportações para os Esta dos Unidos, conforme determinado por Trump. As mais recentes pesquisas de opinião colocam Lula como favorito, em todos os cenários, para a corrida presidencial de 2026.
Jantar e sondagem - Horas antes de se despedir do Supremo Tribunal Federal (STF), o agora ministro aposentado Luís Roberto Barroso foi recebido, na sexta-feira, pelo presidente Lula para jantar no Palácio da Alvorada. Na conversa, ele puxou o assunto da sucessão na Corte e perguntou a opinião de Barroso sobre cada um dos três cotados à vaga deixada por ele. Lula citou, nominalmente, o advogado-geral da União, Jorge Messias, o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Bruno Dantas. Diplomático, Barroso respondeu que consideravam os três preparados para assumir o cargo.
Durante o jantar, os dois também conversaram sobre política, vida pessoal e a participação de mulheres no Judiciário.
Comida e remédio aos palestinos- A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, afirmou, ontem, que o presidente Lula determinou o envio de alimentos, remédios e itens de primeira necessidade à Faixa de Gaza. “Nesse momento em que milhões de palestinos retornam para as ruínas de suas casas, tentando retomar as suas vidas, apesar das perdas enormes que viveram nos últimos dois anos, eles precisam mais do que solidariedade, precisam de ações de apoio, tanto material quanto político, para que o cessar-fogo acordado seja definitivamente cumprido”, disse, no encerramento do Fórum Mundial da Alimentação, na sede da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), em Roma, na Itália. No discurso, Janja afirmou que o acesso de milhões de pessoas à comida é dificultado hoje por mudanças climáticas e seus eventos extremos como secas, enchentes e alterações nos ciclos das chuvas, mas também por questões geopolíticas, como conflitos armados e deslocamentos forçados.
Ciro se filia ao PSDB de olho no Ceará - O ex-governador Ciro Gomes confirmou, ontem, que se filiará ao PSDB para a disputa das elei ções de 2026. A ideia é que ele dispute o governo do Ceará depois de tentar a Presidência da República em quatro oportunidades — 1998, 2002, 2018 e 2022 — e obter em todas elas resultados modestos nas urnas. Ciro estava no PDT, cuja carta de desfiliação foi entregue na sexta-feira ao presidente nacional do partido, Carlos Lupi, e encerrar um ciclo de quase duas décadas na sigla. Pouco depois, o presidente estadual do PSDB, Ozires Pontes, divulgou um vídeo anunciando a chegada do novo integrante da legenda. Em setembro, Ciro afirmou que não pretendia mais concorrer à Presidência. “Não quero mais ser candidato, não. Não quero mais importunar os eleitores”, garantiu, em entrevista à Rádio Itatiaia.
Acompanhado - Nessa cruzada em defesa da educação, Lula tem sido frequentemente acompanhado pelo titular do MEC, Camilo Santana. Há 10 dias, o presidente entregou mais de 17 mil tablets em Imperatriz (MA), ampliando as ações na Região Nordeste. Ontem, em São Bernardo do Campo (SP), Lula tinha ao seu lado um ex-ministro da Educação, Fernando Haddad — atualmente na Fazenda.
De mãos dadas - Em discurso no palanque, Haddad lembrou as ações do presidente ainda no primeiro mandato. Mencionou a adoção de 50% das cotas em universidades para estudantes de escola pública. “A gente tem que entender que isso é fruto de muita luta do movimento social, mas isso depende de uma liderança da qualidade do presidente Lula”, disse.
Mais um - A Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados aprovou a convocação do ministro da Educação, Camilo Santana. Ele é mais um dos integrantes da Esplanada convocado pela comissão neste ano. Camilo foi chamado para explicar o curso de medicina criado pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que destina 80 vagas exclusivamente para o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e assentados da reforma agrária.
Imbróglio - O episódio ganhou destaque com a decisão judicial que suspendeu o edital, acolhendo ação do vereador recifense Thiago Medina (PL) e de entidades da sociedade civil que apontaram irregularidades no processo seletivo.
MDB em 2026 - Nos dias 20 e 21, o MDB e a Fundação Ulysses Guimarães (FUG) apresentarão o documento programático com vistas às eleições de 2026 elaborado pela Fundação. “O Brasil Precisa Pensar o Brasil”, consolida contribuições de 25 encontros regionais e 21 encontros virtuais temáticos, envolvendo mais de 8,5 mil participantes de todas as regiões do país. O evento e a pesquisa estão sendo vistos como possível caminho que o MDB vai seguir no ano que vem: se vai para a oposição ou declara apoio ao presidente Lula.
Brabas e campeãs - Corintiano incurável, o presidente Lula comemorou muito o título da Libertadores conquistado pela equipe feminina na Argentina, em disputa contra o Deportivo Cali. Em uma rede social, o torcedor nº1 do Brasil escreveu: “Imbatíveis! As brabas do Corinthians são campeãs da Libertadores. Nos pênaltis, com emoção. Parabéns, meninas! Rumo ao mundial!”
Vacinados - Representantes da Bahia no Parlamento, os senadores Jaques Wagner (PT) e Otto Alencar (PSD) formam também uma dupla ativa nas redes sociais. Ontem, Dia D de Vacinação, os dois protagonizaram mais um ação conjunta. Médico de formação, Otto Alencar aplicou uma dose de imunizante no braço esquerdo. “Mão leve, hein?”, brincou Jaques. “Nem sangrou”, comemorou Otto.
Prosa baiana - Há algumas semanas, Jaques Wagner e Otto Alencar divulgaram vídeo no qual mantiveram uma prosa sobre anistia e dosimetria. Concluíram que não havia a menor chance de a iniciativa prosperar.
A educação como fator eleitoral - De semana em semana, o presidente Lula tem acumulado feitos na área da educação. Ao participar do lançamento de um programa para cursinhos populares ontem, em São Bernardo do Campo (SP), o presidente acrescentou mais uma ação em favor de melhorar a formação educacional e profissional do brasileiro. Esse foi o mais recente de uma série de medidas implementadas pelo governo federal em favor da educação. Na quarta-feira, o presidente lançou a Carteira Nacional Docente, que concede benefícios a mais de 2 milhões de professores, como descontos em eventos culturais. É certo que educação não rende votos, tampouco atrai o interesse da classe política – basta ver os indicadores gerais do Brasil –, mas ao menos este governo Lula demonstra uma preocupação em favor da sala de aula. Considerando o governo anterior, que boicotava universidades e considerava as escolas como centros de doutrinação esquerdista –, trata-se de um avanço e tanto.
Receio de 'greve' de Alcolumbre - Integrantes do Poder Judiciário temem a reação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) caso o governo Lula confirme a indicação de Jorge Messias (AGU) para o STF. O receio é de uma repetição da "greve" que ele fez em 2021, quando segurou durante cinco meses a sabatina de André Mendonça, por discordar da indicação. Na ocasião, ele preferia o então procurador-geral da República, Augusto Aras, para a vaga. Agora, Alcolumbre trabalha pelo senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Segurar sabatinas é um modus operandi do presidente do Senado, que costuma atrasar a aprovação de indicados para agências e outros postos para extrair concessões.
Lula tenta reorganizar palanques do PT - Lula busca reorganizar os palanques do PT para as eleições de 2026, enfrentando desafios como a indicação ao STF e demissões que afetam o Centrão. Em Minas, insiste na candidatura de Rodrigo Pacheco ao governo, mas enfrenta resistência interna. O governo também demitiu aliados que votaram contra suas propostas, procurando fortalecer suas bases nos estados e garantir candidaturas competitivas, especialmente no Nordeste.
Lula faz aceno às mulheres - Em São Bernardo do Campo, Lula destaca a importância da independência financeira feminina, afirmando que ter uma profissão é quase "sagrado" para as mulheres. Critica a violência doméstica e destaca que mulheres não são "saco de pancada". O discurso ocorre em meio à pressão para indicar uma mulher ao STF e reforça seu apelo ao eleitorado feminino, de olho nas eleições de 2026.
Uma abordagem especial - O slogan do governo Lula no momento é "atenção à classe média". Há uma determinação a partir do Palácio do Planalto para que os ministérios criem iniciativas voltadas para esse segmento da população, ou seja, aqueles que têm renda mensal entre R$ 3,4 mil e R$ 8,1 mil em média. Alguns já estão no mercado, como os novos programas de financiamento habitacional. Outros estão no forno, como o crédito facilitado pela compra de bicicletas para os trabalhadores do aplicativo. Caberá à Secom, de Sidônio Palmeira, encerrar essas medidas e propagá-las da forma mais ruidosa possível.
Orçamento federal
Com a violência em primeiro lugar entre os temas que mais afligem os brasileiros, segundo a última pesquisa da Quaest, o governo Lula lançará ações nesta quarta-feira para fortalecer a segurança pública. O Programa Municipal Mais Seguro, iniciativa do Ministério da Justiça, tem como objetivo fortalecer e qualificar os guardas municipais. A pasta publicará dois editais para destinar até R$ 65 milhões do Fundo Nacional de Segurança Pública em projetos de gestão, equipamentos e capacitação de agentes. Também será realizado um levantamento sobre a realidade das Guardas Civis em todo o país.
'Bancada do samba' disputa apoio - A disputa política no cenário do carnaval carioca se intensifica em 2026 com a "bancada do samba" buscando apoio das escolas de samba. De olho no Senado, Neguinho da Beija-Flor é uma aposta de uma ala do PT. Enquanto isso, parlamentares como Ricardo Abrão e Drummond movimentam-se para cargos na Alerj e na Câmara dos Deputados. A alocação de recursos e alianças políticas são estratégicas para garantir apoio das escolas, evidenciando a complexa relação entre política e carnaval no Rio.
'Trauma' fez Lula adotar postura mais defensiva - Oscar Vilhena analisa a mudança na escolha de ministros do STF, destacando o impacto do Mensalão e Lava-Jato. Segundo Vilhena, Lula adotou uma postura defensiva, optando por aliados próximos. O Supremo, com papel crescente na política, exige escolhas estratégicas e jovens para influenciar a Corte. Para melhorar a imagem do STF, sugere maior colegialidade, precedentes consistentes e um código de conduta.
TJAM congelado - O pedido do Ministério Público do Amazonas para investigar o prefeito de Manaus, David Almeida, está parado no Tribunal de Justiça do Amazonas há mais de um ano. O processo, que investiga viagens do prefeito ao Caribe e possíveis irregularidades em contratos municipais, foi redistribuído cinco vezes sem que nenhum juiz assumisse o caso. Situações semelhantes ocorrem com processos contra o governador Wilson Lima e ex-secretários estaduais.
Divisão na direita brasileira dificulta escolha de candidato - A divisão interna na direita brasileira, entre apoiadores de Jair Bolsonaro e o Centrão, complica a escolha de um candidato para 2026. O Centrão pressiona por uma definição rápida, favorecendo Tarcísio de Freitas ou Ratinho Júnior, enquanto busca um acordo para reduzir penas de envolvidos em atos antidemocráticos. A incerteza ameaça a unidade do grupo para enfrentar Lula, cuja popularidade cresceu.
IPG-Instituto João Goulart


