De Pelé a Neymar: como futebol e política no Brasil se cruzam nas Copas do Mundo
De Pelé a Neymar: como futebol e política no Brasil se cruzam nas Copas do Mundo
Ano do evento coincide com o das eleições presidenciais no país. E o esporte invade a arena política, com expectativa de ganhos para os dois lados.
Por Júlia Christine, Pedro Henrique Gomes
Presidente João Goulart recebe da seleção brasileira de 1962, a taça Julius Rimet
Antes mesmo da bola rolar, a relação entre futebol e política ficou evidente. Após Carlo Ancelotti convocar Neymar, o Partido Liberal (PL) publicou nas redes sociais um vídeo produzido com inteligência artificial que associa a imagem do jogador à do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República.
Na publicação, o PL afirmava que “Flávio é Neymar e Neymar é Flávio”. O senador também compartilhou uma foto ao lado do atleta comemorando a convocação. Neymar não se manifestou publicamente sobre a postagem do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Hoje em dia os atletas são muito mais do que jogadores. Eles também são celebridades. E o Neymar é, sem dúvida, o grande atleta da geração brasileira”, afirma Bruna Barenco, mestre e doutoranda em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF).
Sem citar nomes de jogadores, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse após o anúncio da convocação que o Brasil tem chances de conquistar o hexa, mas vive uma fase sem grandes ídolos no futebol.
“Lamentavelmente, a gente não está em uma fase de produção de tantos gênios do futebol como tivemos nas seleções de 58, 62 e 70. A seleção pode ser campeã do mundo, mas o problema é que nossa seleção não tem mais nenhum ídolo”, afirmou durante participação no programa Sem Censura, da TV Brasil.
Segundo a especialista, o contexto eleitoral intensifica ainda mais o impacto político do futebol. “No Brasil, todo ano [desde 1994] de Copa é ano de eleição. Então o futebol ganha uma importância muito maior. Tudo o que esses jogadores falam ou fazem acaba tendo impacto político também”, explica.
No encontro com Donald Trump, em 7 de maio, Lula brincou sobre os vistos dos jogadores brasileiros para entrar nos Estados Unidos durante a Copa de 2026.
“Espero que você não anule o visto dos jogadores da seleção brasileira, porque a gente vai vir para ganhar a Copa do Mundo”, disse.
A cada quatro anos, futebol e política têm um encontro marcado, seja qual for o presidente e a sua inclinação ideológica.
Para Carlos Fico, historiador, pesquisador do CNPq e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), “só um governo pouco habilidoso não se aproveitaria desse tipo de eventual conquista".


