Cada vez menos nossa:Eletrobras muda nome para Axia Energia e marca nova fase após privatização
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Eletrobras muda nome para Axia Energia e marca nova fase após privatização
Três anos depois de deixar o controle estatal, companhia anuncia rebranding e reforça discurso de modernização e foco em eficiência
Foto: Divulgação
Única News
Da Redação
A Eletrobras anunciou, nesta quarta-feira (22), que passará a se chamar Axia Energia, em um movimento que simboliza a nova fase da companhia desde a privatização em 2022. O novo nome, de origem grega, significa “valor” e também remete à ideia de “eixo” — aquilo que conecta, sustenta e gera movimento.
Em carta aos colaboradores e acionistas, o presidente da empresa, Ivan Monteiro, afirmou que a mudança representa a consolidação de um novo ciclo. “Essa transformação traduz o que vivemos nos últimos três anos: evoluímos nossa governança, ampliamos investimentos, fortalecemos nossa estrutura e nos reposicionamos para responder a um setor em transição, com novas tecnologias e padrões de consumo”, declarou.
A alteração da marca virá acompanhada da mudança nos tíquetes das ações negociadas na B3 e na Bolsa de Nova York a partir de 10 de novembro. No Brasil, as ações ordinárias passarão a ser identificadas como AXIA3, e as preferenciais, AXIA5 e AXIA6. Na bolsa americana, os papéis serão negociados sob os códigos AXIA e AXIA PR, substituindo os antigos EBR e EBR B.
Gigante do setor elétrico
Com 44,4 gigawatts (GW) de capacidade instalada, o equivalente a mais de 20% da geração total de energia do país, a Eletrobras — agora Axia — mantém 82 usinas em 20 estados e no Distrito Federal. Destas, 47 são hidrelétricas, incluindo algumas das maiores do país, como Belo Monte, Jirau e o Complexo de Paulo Afonso.
Fundada em 1962, durante o governo João Goulart, a empresa foi um dos pilares do chamado “milagre brasileiro”, nos anos 1970, quando o país cresceu impulsionado por investimentos em infraestrutura. À época, a Eletrobras chegou a construir cidades inteiras para erguer suas usinas, como São José da Barra (MG), que até hoje abriga estruturas da companhia, incluindo aeroporto e hotéis.
Agora, o grupo concentra esforços em vender ativos não essenciais e reduzir custos operacionais. Entre as vendas recentes está o pacote de 13 termelétricas a gás, negociado por R$ 3,6 bilhões com a Âmbar Energia, do Grupo J&F. A transação também envolveu a participação da Eletrobras na Eletronuclear, livrando a companhia de aportes estimados em R$ 20 bilhões para a conclusão da usina de Angra 3.
Reestruturação pós-privatização
Desde a privatização, a Eletrobras passou a ter gestão privada, mas o governo federal ainda detém 45% das ações. Apesar disso, não possui mais o controle da companhia, o que tem sido alvo de debates e tentativas de reequilíbrio de poder no conselho.
Com a nova fase, a empresa também busca enxugar a estrutura e acelerar decisões, características que o presidente Ivan Monteiro — ex-CEO da Petrobras — considera essenciais para acompanhar o ritmo do setor privado.
O movimento já trouxe resultados: o lucro líquido da companhia atingiu R$ 10,4 bilhões em 2024, quase o triplo do registrado dois anos antes, no período da privatização.
Com informações do O Globo



