Reabertura de investigações da morte de JK esbarra em pendências no governo Lula
Reabertura de investigações da morte de JK esbarra em pendências no governo Lula
Comissão sobre mortos e desaparecidos discute a possibilidade de reconhecimento de novos casos ocorridos na ditadura militar
JK morreu em circunstâncias pouco esclarecidas pelo regime militar, em 1976Foto: PALÁCIO DO PLANALTO
BRASÍLIA - Empossado há exatos 70 anos como presidente da República, Juscelino Kubitschek segue sendo alvo de debates e servindo como referência entre o meio político em Minas Gerais e no Brasil. Um dos pontos mais polêmicos de sua trajetória foi sua morte, em agosto de 1976, até hoje cercada de suspeitas.
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Seguir no GoogleNa reunião do dia 14 de fevereiro de 2025, foi discutida a possibilidade jurídica de reconhecimento de novos casos de pessoas mortas e/ou desaparecidas como vítimas da ditadura militar (1964-1985). O colegiado definiu que não há prazo decadencial para a análise de fatos que tenham repercussão histórica. “Ainda, assim como em todos os casos analisados pela CEMDP, é essencial que as famílias diretamente interessadas sejam consultadas para participarem do processo”, diz a pasta.
Para bater o martelo sobre avançar ou não no caso de JK, o órgão ainda aguarda uma manifestação da Advocacia-Geral da União (AGU), para tomar conhecimento de quais medidas seriam cabíveis. O mesmo vale para o caso de Anísio Teixeira, jurista e educador que fazia oposição à ditadura e também morreu em circunstâncias pouco esclarecidas, em 1971.
A próxima reunião da CEMDP está prevista para o dia 1º de abril. Integrantes da comissão acreditam que até lá, a AGU deve se manifestar sobre o tema. No colegiado, o caso de JK tem como relatora a conselheira Maria Cecília Adão.
Ocorrida em 1976, a morte de JK é, até hoje, cercada de suspeitas. Segundo os registros oficiais, ele teria falecido devido a um acidente automobilístico na Rodovia Presidente Dutra, no Rio de Janeiro. Dirigido pelo motorista Geraldo Ribeiro, Opala onde estava o ex-presidente teria perdido o controle, invadido o outro lado da pista e colidido com uma carreta, resultando na morte de ambos.
Historiadores apontam que na época, houve destruição de provas e os corpos não foram examinados. Na época de sua morte, JK constituía a chamada Frente Ampla de oposição à ditadura, ao lado do esquerdista João Goulart e do direitista Carlos Lacerda. Os três faleceram em um intervalo de nove meses. No caso de Jango, as circunstâncias da morte também são suspeitas.


