Soberania nacional também é solidariedade à pátria grande – Por João Vicente Goulart
Soberania nacional também é solidariedade à pátria grande – Por João Vicente Goulart
Está na hora de nosso governo dar, publicamente, uma declaração contra essa frota de navios americanos encostada nas águas venezuelanas do Caribe
As ameaças e sanções americanas ao Brasil despertaram, oportunamente no meio político do governo brasileiro, a chama do princípio de “soberania”, uma pauta que o presidente Trump deixou quicando na marca do pênalti, para ser chutada para dentro do gol.
Uma pauta que não se encontrava na agenda do governo, tampouco, na memória política recente, de vários atos praticados contra a nação brasileira nos últimos tempos: espionagem do governo dos EUA contra a presidenta Dilma Rousseff; reuniões de agentes americanos com procuradores da Lava Jato, que pretendiam sangrar o patrimônio público da Petrobrás. Tudo feito no silêncio dos arapongas do Departamento de Estado dos EUA, que, desde 1945, na deposição do presidente Vargas, atuam no Brasil.
E tanto faz, democratas ou republicanos, são filhotes da mesma política intervencionista. Os donos do staff americano querem manter o seu “quintal latino-americano” em nossas nações, que pregam a soberania nacional.
Os três golpes mais recentes no Brasil - Getúlio 1945, Jango 1964 e Dilma 2016 - foram praticados por influência de governos democratas dos EUA: Eisenhower, Kennedy-Johnson e, por fim, Obama.
É hora de voltarmos um pouco para a historiografia de acontecimentos intervencionistas em nossa pátria grande. Durante o golpe de Estado de 1964, a marinha americana estacionou a 4ª frota americana do Atlântico Sul na costa brasileira, com objetivo de apoiar os ditadores que depunham o governo constitucional do presidente João Goulart.
Não podemos, nesta hora difícil de ataques concatenados a vários países de nossa América Latina, como México, Brasil, Venezuela e Colômbia, não termos uma palavra de apoio ao povo venezuelano.
Eles vêm sofrendo um ataque brutal contra sua soberania, com a invasão do mar do Caribe por navios de guerra americanos. Os invasores também ameaçam a independência daquele país irmão da América Latina, que luta tenazmente contra a intervenção do imperialismo.
Colômbia e Venezuela enviam soldados para a fronteira de Catatumbo, encerrando rusgas antigas e inviabilizando qualquer argumento americano, que alega que as duas nações não combatem o tráfico de drogas e os cartéis que ali operam.
Argumento fantasioso do presidente Trump para invadir países soberanos e atuar como imperador do mundo.
O informe da ONUDD de 2025 é muito claro e elucidador. Mostra ser uma vergonha aqueles atores da grande mídia que demonizaram a Venezuela, como sendo país de grande tráfico ou cartéis em seu território.
A própria ONU consolidou a Venezuela como território livre do cultivo da folha de coca, assim como sem cartéis criminais internacionais.
O Cartel de los soles é uma imaginação maquiavélica do Trump, com intuito de fazer valer sua vontade intervencionista em qualquer país que tenha se insurgido contra o imperialismo e o colonialismo rentista internacional.
Ora, sabemos, claramente, que o bang-bang trumpista está ameaçando o mundo livre, se não se submeter à sua vontade, se países não se curvarem diante de sua majestade.
Desembarque 2 mil marines em território venezuelano e lute contra uma nação que conhece sua soberania, presidente Trump, e verá que a Venezuela não é a ilha de Granada. Era bom a grande mídia que prega essa invasão, como se já fosse vitoriosa, lembrasse, também, dos 2 mil contrarrevolucionários treinados pelos EUA, na baía do Porcos, Cuba, em 1961.
Está na hora de nosso governo brasileiro dar, publicamente, uma declaração contra essa frota de navios americanos encostada nas águas venezuelanas do Caribe.
É bom lembrar que a República Popular da China e a Federação da República Russa já se manifestaram que não aceitarão uma operação de guerra na Venezuela. Mesmo a Venezuela ainda não fazendo parte do BRICS, por nossa causa.
No dia 20 de agosto, Celso Amorim, assessor especial da presidência da República, disse na Câmara de deputados:
“A não intervenção é fundamental, um princípio basilar da política externa brasileira. Uma coisa histórica. Até durante o período de governo militar, o Brasil nunca aceitou a ideia de intervenções externas. E nos preocupa muito a presença de barcos de guerra muito próximos à costa venezuelana, sobretudo com [as recentes] declarações”.
Não estaria na hora de dar uma declaração oficial de apoio ao povo da Venezuela?
O Brasil precisa ampliar a soberania aos povos perseguidos de nosso continente.
Soberania também para a nossa Pátria Grande!
*João Vicente Goulart é presidente do IPG-Instituto João Goulart.



