Ameaça contra jornalista, suposto acesso a sistemas da Interpol e pagamento de propina para servidores públicos. Parece a trama de um filme de ação, mas são as novidades do caso Master.
O começo. A Polícia Federal realizou ontem uma nova fase da operação Compliance Zero, que investiga a fraude bilionária envolvendo o Banco Master.
Fabiano Zettel, seu cunhado, também foi levado para o Centro de Detenção Provisória 2 após se entregar à PF.
↳ A defesa do dono do Master nega acusações e diz que não tentou obstruir Justiça.
Vigiar e punir. As investigações da polícia mostram a existência de um grupo criado para monitorar jornalistas, antigos funcionários e autoridades e pressionar pessoas consideradas adversárias do ex-banqueiro.
"A Turma", como foi apelidada, era composta por Vorcaro, Vettel, antigos servidores do Banco Central, um ex-policial e outros membros, responsáveis por movimentações financeiras e outras atividades.
Dentro deste núcleo, o dono do Master mantinha uma milícia privada, composta por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apelidado de Sicário, e o policial aposentado Marilson Roseno da Silva, segundo a PF.
Sicário é um termo que vem do espanhol e significa assassino de aluguel.
O ex-banqueiro pagava R$ 1 milhão por mês a Mourão em troca de seus serviços, segundo relatório do ministro do STF. O valor era redistribuído para diversos integrantes da rede. Já Marilson usaria sua experiência e contatos para obter dados sensíveis e vigiar alvos.
↳ Em nota, a defesa de Mourão disse que os fatos imputados a ele não correspondem à realidade.
Na mira da Turma. A polícia encontrou mensagens no celular de Vorcaro que citam uma simulação de assalto contra o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, como forma de intimidação. A decisão de prender novamente Vorcaro veio desta descoberta:
Em outro diálogo, o ex-banqueiro se queixa de uma empregada, identificada como Monique, que o estaria ameaçando. O dono do Master determina que Mourão deveria puxar o endereço e tudo relativo a ela:
Informações privilegiadas… Segundo a PF, servidores do Banco Central atuavam como consultores para assuntos relacionados à autarquia e recebiam propina por isso (até uma viagem para a Disney saiu dessa relação).
… e publicações positivas. A polícia também investiga possíveis pagamentos feitos por Vorcaro para o site DCM (Diário do Centro do Mundo) e dois de seus editores, com o objetivo de evitar notícias negativas. O site nega.
O zap do Vorcaro. A Folha teve acesso a mensagens enviadas pelo ex-banqueiro que estão sendo investigadas. Nelas, ele...
...trata Ciro Nogueira como 'grande amigo' e celebra emenda que beneficiava Master. Senador diz que não teve conduta inadequada relacionada ao banco.