O marechal que há 70 anos evitou um golpe de Estado

O marechal que há 70 anos evitou um golpe de Estado

MARECHAL HENRIQUE LOTT

O marechal que há 70 anos evitou um golpe de Estado

Homenageado no Congresso, militar garantiu a posse de JK e Jango

Sérgio Barbo

 

No dia 11 de novembro foi realizada uma sessão solene no Plenário da Câmara dos Deputados para homenagear Henrique Teixeira Lott (1894-1984) e relembrar o Movimento de 11 de Novembro de 1955, ou “Golpe Preventivo”, liderado pelo então general e ministro da Guerra.

Wagner William e José Airton Cirilo em sessão solene que homenageou o marechal Henrique Teixeira Lott.
Wagner William e José Airton Cirilo em sessão solene que homenageou o marechal Henrique Teixeira Lott
Crédito: @fotojornalistaaugusto

Também chamado de “Novembrada”, o movimento interrompeu uma conspiração em andamento orquestrada por setores militares e políticos, que visava impedir a posse de Juscelino Kubitschek, sob o pretexto de que ele não havia obtido a maioria absoluta dos votos (36%) nas eleições presidenciais de 1955. Vigiado pelos conspiradores desde quando era ministro do Trabalho do governo Vargas, João Goulart era o vice-presidente eleito.

Entre os conspiradores, estavam o vice-presidente em exercício, Café Filho (que havia traído Getúlio Vargas um ano antes), o presidente da Câmara, Carlos Luz, os coronéis Jurandir Mamede e Golbery do Couto e Silva, e o jornalista e deputado Carlos Lacerda. Alguns deles, voltariam à carga anos depois, empenhados na derrubada do governo Goulart.

Apesar de não ter votado em JK, Lott era um legalista e colocou tanques e 25 mil soldados nas ruas, impedindo que o golpe se desenvolvesse. O oportuno “contragolpe” ficou marcado na História como um momento em que a intervenção militar foi usada para proteger a democracia, ao contrário do que ocorreria poucos anos depois, com a implantação do golpe de 1964.

Como ministro do governo JK, Lott ainda impediria investidas golpistas em 1956 e 1959. Em 1961, já na reserva, como marechal, declarou-se contrário à tentativa de golpe planejada pelos ministros militares para impedir a posse de João Goulart após a renúncia de Jânio Quadros e foi de extrema importância para a Campanha da Legalidade.

 

Homenagem

Solicitada pelos deputados federais Alfredinho (PT-SP) e Lindbergh Farias (PT-RJ), a sessão solene no Congresso contou com a presença e pronunciamentos dos deputados José Airton Félix Cirilo (PT-CE), Erika Kokay (PT-DF) e Carlos Zarattini (PT-SP), do vereador Dheison Silva (PT-SP), do oficial da Marinha Robinson Farinazzo (via videoconferência), do ex-deputado João Vicente Goulart (presidente do PCdoB-DF), do historiador Felipe Lott (bisneto do homenageado), do jornalista Wagner William e do advogado Bruno Antunes de Cerqueira (representante da Comunhão Popular). Além de celebrar o Movimento de 11 de Novembro, a solenidade lançou o projeto de inscrição do nome de Henrique Lott no livro de aço dos heróis e heroínas da Pátria.

Autor de O Soldado absoluto: uma biografia do marechal Henrique Lott, o jornalista Wagner William lembrou que o militar, após “cumprir a Constituição, evitar um golpe e dar posse a Juscelino Kubitschek”, teve seu nome varrido da História a partir de 1964, foi esquecido. “Hoje estamos aqui rendendo homenagens devidas a esse grande brasileiro. Faz-se justiça”.

Sérgio Barbo é jornalista.