|
R$ 165 mil de dinheiro público pagaram dois dias de voos de jatinho para Nikolas Ferreira. Mas a pior parte é quem é o dono da aeronave.
Revelamos que, durante a campanha de 2024, o PL utilizou dinheiro público para fretar um jatinho da empresa AllJet para o deputado Nikolas Ferreira. O que a nota fiscal não mostra, mas nossa investigação descobriu, é que a aeronave pertence a uma empresa de Nelson Ramon Aguilera Júnior – denunciado pelo Ministério Público de São Paulo por organização criminosa e lavagem de dinheiro em esquemas de jogos de azar.
A denúncia foi rejeitada pela Justiça, mas o Ministério Público recorreu da decisão e o caso aguarda nova análise.
Dois anos antes de Nikolas entrar no avião, o empresário já havia sido alvo de denúncia do MP. Mesmo assim, verba do fundo partidário, abastecido com dinheiro público, foi usada pelo PL para pagar os voos. Em outras palavras: seu dinheiro.
Conexões como essa não são fáceis de encontrar. O PL contratou a empresa de táxi aéreo AllJet, que por sua vez tem um contrato com Aguilera para operar comercialmente a aeronave do empresário denunciado. Nas notas fiscais, só consta o nome da empresa de fretamento. Dessa maneira, o vínculo com Aguilera não aparece à primeira vista.
Foi preciso cruzar documentos de prestações de contas do partido, notas fiscais de fretamento, dados da Agência Nacional de Aviação Civil, a Anac, e informações sobre proprietários de empresas na Receita Federal para revelar essa conexão. Ninguém mais estava olhando para isso.
As eleições estão chegando e, com elas, candidatos circularão pelo Brasil inteiro em voos caríssimos de jatinho. Investigar o uso de aeronaves por autoridades, além de revelar o destino do nosso dinheiro, expõe as redes de influência e favores que decidem, nos bastidores, quem ganha ou perde nas urnas.
Mapear essas rotas e cruzar documentos nos permite expor possíveis vínculos entre políticos e empresários denunciados por crimes graves e revelar quais interesses estão por trás desses esquemas.
|