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'Todos estamos esperando que aconteça algo terrível'

publicada em 09 de janeiro de 2012

 

'Todos estamos esperando que aconteça algo terrível'

Uma análise do prestigiado Centre for Economics and Business Reasearch (ECBR) e uma investigação da BBC com 27 economistas assessores do Banco da Inglaterra chegaram a conclusões similares em meio a um clima de pessimismo generalizado. Um gerente financeiro resumiu esse sentimento com uma frase que encerra em si mesma muitos perigos: “todos estamos esperando que aconteça algo terrível”. O maior temor que as empresas enfrentam é o de uma desintegração da eurozona.

Marcelo Justo - Correspondente da Carta Maior em Londres
No Reino Unido ninguém aposta no euro. Segunda uma pesquisa da empresa de consultoria Deloitte, os chefes financeiros (CFO) das principais corporações britânicas não acreditam que os líderes europeus possam evitar uma nova crise e estimam que há cerca de 37% de possibilidade de que ao menos um país abandone o euro este ano.

Não são os únicos. Uma análise do prestigiado Centre for Economics and Business Reasearch (ECBR) e uma investigação da BBC com 27 economistas assessores do Banco da Inglaterra chegaram a conclusões similares em meio a um clima de pessimismo generalizado. Um CFO resumiu esse sentimento com uma frase que encerra em si mesma muitos perigos: “todos estamos esperando que aconteça algo terrível”.

A pesquisa da Deloitte ouviu a nata do mundo empresarial. Trata-se de 71 empresas com um valor combinado de mais de 500 bilhões de euros ou 26% da cotação empresarial total no mercado.

Segundo estes CFO, o maior risco que suas empresas enfrentam é uma desintegração da eurozona. Um cenário desta natureza provocaria uma contração creditícia e uma extrema volatilidade nos tipos de câmbio e nos valores dos ativos, todas possibilidades que estão afetando hoje os planos das corporações. Nestes últimos seis meses duplicou-se a porcentagem de CFO que avaliam como “alto” ou “muito alto” o risco de “externalidades macroeconômicas” para suas companhias. No verão europeu, cerca de 26% se inclinavam por essa possibilidade. Hoje, 56% acreditam que a economia pode afetar seriamente seus balanços.

O resultado é uma cautela que pode terminar no conhecido fenômeno da profecia auto-realizada. Segundo o economista chefe do Da Deloitte, Ian
Stewart, a atual incerteza tem um efeito corrosivo na inversão corporativa.

“Cerca de 87% dos entrevistados pensa que é um momento ruim para tomar decisões arriscadas. Se, em 2011, a atitude era expandir-se para novos mercados e incrementar o investimentos, agora é cortar custos e incrementar a liquidez, fortalecendo o próprio balanço financeiro”, assinala Stewart. Segundo os FCO britânicos, já há uma contração creditícia comparável a do último trimestre de 2008.

Impacto no Reino Unido

Não surpreende que a maioria hoje pense que o Reino Unido entrará em uma segunda recessão este ano. A comparação com uma pesquisa similar de Deloitte no ano passado é ilustrativa do pessimismo reinante. Em janeiro de 2011, 27% dos CFO pensavam que haveria uma recessão: hoje, a porcentagem dobrou, é de 54%.

Este pessimismo sobre o euro e as perspectivas britânicas é ainda mais pronunciado na avaliação do Centre for Economics and Business Reasearch (ECBR), que recentemente elaborou uma nova tabela econômica mundial na qual colocou o Brasil em sexto lugar, a frente do Reino Unido.

Em suas projeções para 2012, o ECBR estimou que este ano o euro começará a se desintegrar. “No momento, só estamos dando 60% de probabilidade, mas nossa previsão é que ao final do ano ao menos um país deixará o euro”, assinalou a organização em um comunicado. O ECBRS considera que há assombrosos 99% de possibilidade de uma desintegração da eurozona ao final da década.

Em câmera lenta ou a dupla velocidade o impacto desta crise sobre o sistema financeiro será inevitável. “A maior parte do sistema bancário francês e alemão terá que se resgatada para compensar as perdas em função da crise das dívidas soberanas. É possível que muitos deles sejam nacionalizados”, vaticinou o CEBR.

É uma percepção generalizada. Em uma pesquisa da BBC no final do ano, na qual participaram 27 economistas britânicos e do resto da Europa, todos assessores do Banco da Inglaterra, uma quinta parte previu que a eurozona não manteria seus 17 membros a bordo em 2012 e a maioria vaticinou uma recessão para a União Europeia.

Apesar deste panorama amargo, em um exemplo de manual sobre o capitalismo, 48% dos CFO das grandes corporações já identificou oportunidades para o crescimento em meio à crise. Uma terceira parte aponta para a aquisição de ativos a preço de remate e 30% pensam que haverá oportunidades para expandir seu lugar no mercado. São duas caras da mesma moeda que aponta a possibilidade de avanços monopólicos. Além disso, 19% calculam que a crise permitirá realizar reformas internas postergadas durante a bonança, algo que normalmente se traduz em “reestruturações” e demissões.

Tradução: Katarina Peixoto
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P. Latina

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