Quinta-feira, 27 de abril de 2017.
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O Instituto

O IPG pretende estimular a pesquisa histórica e a reflexão sobre o processo político brasileiro, na esperança do resgate da memória de Jango, em prol da soberania na condução do Estado, pela independência da agenda pública e a preservação da cultura e dos bens nacionais.

O resgate da memória de João Goulart como estadista permite diagnosticar a origem das “mazelas” nacionais, pois a perene crise brasileira têm raízes na ruptura da ordem constitucional pela perda da soberania nacional em 01 de abril de 1964. Este ambiente de crise assombra o cotidiano do país, numa constante troca de disfarces sobre sua verdadeira origem, e se mantém sob um clima de miséria, de insegurança, de ignorância, de violência, de corrupção e de ausência de autoridade moral.

O IPG traz a proposta de aderir ao exemplo histórico de João Goulart na busca de caminhos pacíficos para o entendimento social em torno de um projeto comum a todos os brasileiros, sem turbar a ordem pública e sem agredir a ordem jurídica; resgatando a proposta do trabalhismo histórico de cooperação entre Capital & Trabalho para produção e distribuição de excedentes e de riqueza.

As reformas de base do Estado propostas pelo trabalhismo histórico e defendidas pelo presidente João Goulart permanecem adormecidas e carecem de um debate atual, profundo e criterioso sobre as transformações estruturais necessárias ao bem estar da sociedade brasileira e à otimização do Estado

Na crônica A SEGUNDA MORTE DE JOÃO GOULART publicada no jornal ZERO HORA no Domingo de 02 de janeiro de 2001, escrita pelo jornalista Décio Freitas encontramos assertivas exatas na revisão histórica dos eventos relatados, que a documentação recente ratifica:

Como exercício de memória útil à autoconsciência nacional, deve-se (...) releitura dum clássico sobre o assunto, "O Governo João Goulart - as lutas sociais no Brasil", do historiador Luiz Alberto Moniz Bandeira...

(...) Desde a posse em 1961, os EUA não fizeram segredo de sua hostilidade ao governo Goulart. Primeiro houve a resistência a uma composição dos problemas financeiros e cambiais do país, o que ocasionou crise econômica e inflação. Já muito clara no governo Kennedy, a hostilidade se exacerbou até a histeria após sua morte. A derrubada do governo virou objetivo declarado do governo americano, que passou a patrocinar por todos meios uma conspiração golpista. O lendário coronel-espião Vernon Walters, por exemplo, encontrava-se diariamente com o marechal Castelo Branco, informando Washington sobre a marcha da conspiração.

Bandeira apoia-se em documentação do próprio governo americano para comprovar a participação da CIA na conspiração. Lacerda e o diretor do "Estado de São Paulo", em declarações públicas, exortaram abertamente os EUA a intervirem no Brasil. Houve até mesmo projetos terroristas, como assassinar Jango e seus filhos, consoante se constatou quando do achado pelo Exército, no Estado da Guanabara, sob o governador Carlos Lacerda, de sofisticado armamento americano. Quando o golpe entrou na fase da execução, montou-se a operação "Brother Sam": supondo armada ao golpe, preparou-se uma frota para intervir em apoio aos sediciosos. Se Jango oferecesse resistência, o Brasil teria provavelmente se convertido num Vietnã.

(...) O Jango que emerge do livro de Bandeira é um homem politicamente muito lúcido e maduro. Seu inabalável legalismo se comprova pela resoluta oposição a um auto-golpe. Depois, não quis resistir ao golpe, a fim de poupar o país dos horrores de uma guerra civil que segundo todas as probabilidades se internacionalizaria. Jango caiu mais por suas virtudes do que por seus defeitos, disse lapidarmente Darcy Ribeiro E quando foi deposto tinha, segundo o IBOPE, o apoio de 76% da opinião pública. Era homem rico de berço, e muito rico. Mas como alguns ricos, tinha enorme vergonha de ser rico num país de miseráveis. Daí seu apaixonado empenho de promover reformas sociais. Pessoal e politicamente, foi protótipo do homem cordial; aborrecia o conflito. (...)

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