
Governo, a partir de Brasília, manteve sob controle a cerimônia fúnebre temendo reação, mas não contém manifestação política
As restrições impostas no sepultamento do ex-presidente João Goulart, quando as forças de segurança do governo foram intensamente mobilizadas, provocaram críticas e reação. Uma das versões atribui as decisões ao radicalismo do ministro do Exército, Sylvio Frota, que receando manifestações populares, tomou a surpreendente decisão. Mas apesar do controle o sepultamento contou com grande acompanhamento popular e presença de lideranças políticas.
Pedro Simon, então presidente do MDB gaúcho, discursa com emoção no sepultamento de João Goulart.
A origem
Tudo começou dias antes, quando Jango cujos problemas cardíacos vinham de longe, realizou exame médico na Europa em setembro de 1976, e foi informado que possuía uma cardiopatia grave que requeria cuidados. Havia assim o risco de outro enfarte. Mas, apesar da advertência, na manhã de 5 de dezembro, viajou sigilosamente com a esposa para La Villa, estância que possuía em Mercedes, Argentina. O casal acabou seguindo de avião apenas até Bella Unión, fronteira do Uruguai, atravessou de lancha o rio para Monte Caseros e prosseguiu de carro até Paso de Los Libres, onde almoçou e depois partiu para La Villa, distante 120 km de Uruguaiana no Brasil. Maria Tereza e Jango chegaram num domingo.
Nem parecia que o ex-presidente vinha de uma advertência médica. Jango, à noite, comeu um churrasco de ovelha e depois se recolheu por volta de 1 hora da madrugada. Às 2h40min, o administrador da Fazenda, Júlio Passos, foi acordado aos gritos por Maria Tereza. No quarto, Jango deitado estava com a mão no coração. Cinco minutos após, às 2h45 min, estava morto!
Repercussão
Em Brasília, tão logo chegou a notícia as indecisões logo se evidenciaram. O governo radicalizou e não decretou luto oficial, levando o Senado a recuar da decisão que já havia tomado. A censura federal também entrou logo em ação e só permitiu a divulgação da notícia, sem comentários sobre a trajetória política de Jango. Ainda houve mais um problema: embora o vice-presidente Adalberto Pereira dos Santos tivesse dado permissão para o sepultamento no Brasil, o ministro do Exército Sylvio Frota, tentou anular a decisão mas sem êxito. Jango voltava assim, doze anos e oito meses após ter sido deposto, mas para ser sepultado em São Borja, sua terra natal.
Jango que estava em tratamento diante de problemas cardíacos, vivia ainda fase de depressão.
Simon rememora
O então deputado estadual Pedro Simon que esteve em São Borja, anos depois, em pronunciamento no Senado, lembrou e criticou o confuso cenário vivido no sepultamento de Jango: “Quando tomei conhecimento da morte de Jango logo fui procurado na Assembleia do Rio Grande porque havia a decisão de que a viúva e os filhos queriam enterrá-lo em São Borja, no túmulo da família, a 40 metros do túmulo de Getúlio Vargas. Então, as forças do Exército chegaram a mim, Presidente do Partido, para dizer que concordavam que ele entrasse no Brasil, mas dentro de um caixão fechado e seria proibido abri-lo, devendo ser logo sepultado às pressas.” O cenário vivido aquele dia é ainda lembrado por Simon: “O corpo passou por Uruguaiana, diante de uma multidão nas ruas. O carro que o trazia por pouco não atropelou as pessoas, que tiveram que saltar para o lado, porque com acompanhamento militar (não de honra, mas de vigilância) passou a 120 km por hora. Quando chegou em São Borja, já tínhamos combinado com o padre de lá. A praça, estava fechada e, ao passar o carro, paramos na frente da Igreja. Esta se abriu, carregamos o corpo e o colocamos dentro da Igreja, que estava lotada.

Surpresa em S. Borja: um grande público acompanhou o enterro de João Goulart.
A mudança foi surpreendente: de repente, a Igreja vazia e a praça vazia, sob controle deles; mas logo em seguida, superlotada e o corpo lá dentro. Aí não deu para tirar. Ele ficou ali sendo velado pelo povo. Os militares angustiados, fazendo exigências, porque da Igreja, no centro de São Borja, até o cemitério eram dois ou três quilômetros. Havia um mar de gente. Eram populares e soldados que tinham vindo de todas as regiões: Santiago, Alegrete, Uruguaiana etc. E as tropas apavoradas com o morto que estava chegando!!!
Pressões continuam
O comandante da operação procurou-me, lembra Simon, e disse: “Deputado, vamos entrar no carro e tocar para o cemitério.” Respondi: “O senhor é quem sabe, Coronel”. Só que entrou e não deu para tocar para o cemitério, porque na frente havia uma infinidade de gente. O povo fechou o caixão e, a pé, foi para o cemitério. Lá chegando, Tancredo Neves e eu fizemos um pronunciamento. Lembramos sua trajetória e destacamos que ele sempre fora um homem de entendimento.
Por Carlos Fehlberg
A morte de Jango
Edson Khair
A denúncia do ex-agente de repressão da ditadura uruguaia Mario Neira Barreiro publicada na F.S.P em 27/01/2008, de que o presidente João Goulart foi assassinado por envenamento a pedido da ditadura militar brasileira exatamente no governo do general Geisel, que teve a decisão final no assassinato de João Goulart, exige novas investigações sobre o caso.
Narra Barreiro, ex-agente repressor uruguaio, que o falecido e de famigerada fama delegado Sergio Fleury teria relatado ao próprio general Geisel que Jango estava conspirando contra a ditadura (o que não era verdade) e que precisava ser eliminado fisicamente. Geisel teria respondido: "Faça e não me diga mais nada sobre Goulart".
Portanto, a morte de Jango foi decidida não pelo governo uruguaio e sim pelo brasileiro, com inspiração e apoio logístico da CIA, portanto, de setores do governo norte-americano. Relata ainda o araponga assassino que a CIA pagou fortunas para saber o que e com quem Jango conversava. Jango foi morto através de troca de medicamentos por drogas venenosas. Para tal empreitada assassina colaborou decisivamente o médico e capitão do serviço secreto uruguaio Carlos Miles. Os ingredientes químicos venenosos vieram diretamente da CIA.
Tais venenos eram misturados com as cápsulas da medicação anticardíaca que Jango usava, ou seja, Isordil, Adelfan e Niodim. Todo esse relato é do ex-agente repressivo. Afirmou ainda ser contrário, pessoalmente, a tal associação de celerados visando eliminar João Goulart, como o fizeram, pois considerava Goulart uma pessoa muito boa, afirmando, no entanto, que se tivessem pedido a ele para eliminar Leonel Brizola o faria, pois, segundo ele, Brizola era um conspirador nato.
Jango sabia que estava sendo vigiado, seguido. Certa ocasião, quando executavam um serviço de grampeamento do seu telefone em frente a sua casa, o ex-presidente Jango aproximou-se, convidando-os a tomar um café. Ele aceitou, seu colega não. Na conversa durante o café, disse: "Sei que vocês estão me seguindo e me gravando 24 horas por dia. Mas por quê? Eu não sou contra vocês".
Vejam a situação pateticamente trágica. A boa índole do presidente João Goulart se recusava a acreditar que seus assassinos iriam assassiná-lo, como fizeram. Tal depoimento do ex-agente Barreiro, sobre o conhecimento e consentimento do general Geisel dando ordens para assassinar Jango, se encaixam bem com sua concordância, à mesma época com o ponto de vista do general Dale Coutinho, comandante do II Exército, sediado em São Paulo. Elio Gaspari relata, em seu fabuloso "raconto" político "Ditadura encurralada", Dale Coutinho falando a Geisel ao telefone (gravação de autoria do major Heitor de Aquino): "É preciso matar os subversivos, inclusive os do PCB" (não participaram da luta armada contra a ditadura). Geisel respondeu lacônico: "É, é preciso matar".
A vida imita a arte ou a arte imita a vida? Shakespeare, em suas magníficas obras sobre a usurpação do poder, aproxima-se bem da dança e rodízio macabro dos generais usurpadores do poder de 1964 a 1985.
Necessário se faz que iniciativa da família do presidente João Goulart, através do seu filho João Vicente Goulart solicitando à Procuradoria Geral da República a abertura de nova investigação sobre a morte de seu pai a partir do depoimento de Barreiros, seja efetivada. Jogará jato de luz nesta fúnebre escuridão de usurpação, violência e assassinato que varreu a América do Sul nas décadas anteriores de 60, 70 e 80, sobre a tutela e financiamento da CIA, o que vale dizer do governo norte-americano.
A pretexto de combater a subversão, os generais genocidas do continente cometeram crimes nefandos. Alguns estão presos na Argentina e no Chile. No Brasil, nenhum. Ao contrário, foram promovidos, defendidos e exaltados por um corporativismo delinqüente. Necessário se faz em nome da verdade e da honra do Exército brasileiro, que é ou deveria ser o Exército de Caxias, Osório e Henrique Lott e não o dos usurpadores de 64 a 85. Investiguem-se tais crimes para que as novas gerações de militares não carreguem infâmia e culpa que não lhes pertence.
O Exército brasileiro deve esta satisfação a toda a sociedade. Como morreram ou foram assassinados o ex-presidente Juscelino Kubitschek, a 22 de agosto de 1976, o ex-presidente João Goulart, a 6 de dezembro de 1976, e o ex-governador da Guanabara Carlos Lacerda, a 22 de maio de 1977. Não é coincidência por certo que toda a liderança civil do Brasil tenha desaparecido de morte natural num espaço de apenas 9 meses.
Atrás ou à frente de tais empreitadas criminosas marciais está a Operação Condor, o que vale dizer CIA-EUA e seus consorciados, as ditaduras militares do continente. Presidente Lula, já decorreram 32 anos de tais atrocidades. Impossível ignorar tais crimes. Talvez não seja possível puni-los. Mas é imperativo moral que o País veja resgatada a verdade histórica através de iniciativa do senhor presidente da República, que é devedor de tal resgate, e do Ministério Público da União, ambos lancetando esse tumor que ainda infecta, adoece e deforma a história do Brasil.
Edson Khair é advogado
Depois da morte, a Operação Condor vem à luz
Setembro de 1974
Buenos Aires, Argentina
Neiva Moreira, jornalista e exilado político, recebe a visita de um diplomata. ‘‘Há listas de matar e há listas de deportados’’, diz o diplomata. ‘‘Você encabeça a lista de deportados. João Goulart está na lista de matar’’.
Setembro de 1974
Buenos Aires, Argentina uma semana depois
o general Carlos Prats entra em seu carro na porta de sua casa, junto com sua mulher. Quando vira a chave, o carro explode. Os dois morrem. Ele também estava na lista mostrada a Neiva Moreira.
Meados de 1975, Santiago, Chile uma casa no bairro de Lo Curro A casa esconde um laboratório químico clandestino. Ali, Eugenio Barrios cumpre uma missão secreta para o Departamento Nacional de Informação (Dina). Sua missão: produzir gás sarin, um composto químico altamente tóxico que, inalado, provoca paralisia neurológica, resultando em morte instantânea, equivalente à atribuída a uma parada cardíaca ou respiratória.
Barrios tinha de encontrar uma forma de diluir o gás em água e colocá-lo dentro de um vidro de perfume Chanel nº 5. Esse perfume mortal seria usado para matar o ex-ministro do Interior e da Defesa do Chile no governo Salvador Allende, Orlando Letelier. O plano, porém, não deu certo. Optou-se por matar Letelier, em Washington, em um atentado a bomba.
Novembro de 1975
Santiago, Chile — sede do Departamento Nacional de Informação (Dina)
Os chefes dos serviços de informações das ditaduras sul-americanas fazem a primeira reunião formal da Operação Condor. Mas tudo indica que os governos já cooperavam antes nas suas ações de repressão. Evoluiu-se de um período de troca de informações, para uma etapa de ações conjuntas na busca de ativistas políticos até o plano de eliminação dos líderes políticos de oposição na América Latina.
Dezembro de 1975
Montevidéu, Uruguai — casa do deputado Tito Herber, candidato à presidência do Uruguai
Perto do Natal, Tito Herber recebe uma cesta com vinhos e frutas secas. Um cartão: ‘‘Ao querido companheiro de Congresso, ofereço neste Natal’’. A mulher de Tito abre uma garrafa de vinho e enche uma taça. Morre envenenada minutos depois. O alvo do atentado certamente não era ela. Era Tito Herber.
Maio de 1976
Argel, capital da Argélia apartamento do exilado político Miguel Arraes
O ex-governador de Pernambuco recebe em sua casa três agentes secretos do governo argelino. ‘‘Nós estamos vindo do Cone Sul da América Latina’’, informam os agentes. ‘‘Houve uma reunião da extrema direita para apreciar a questão de uma possível abertura política, a partir de uma pressão vinda do presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter’’, continuam. Era preciso tomar providências para evitar que pessoas importantes que estavam presas e exiladas, em diferentes países, pudessem voltar com a abertura e empolgar a opinião pública no caso de uma eleição. ‘‘Eles decidiram, na reunião, condenar à morte essas pessoas’’, informam os agentes.
Junho de 1976
Buenos Aires, Argentina
Juan Torres é assassinado com um tiro na cabeça. Hector Gutiérrez, ex-presidente da Câmara de Deputados, e Zelmar Michelini, senador, ambos uruguaios, são fuzilados na rua. Ameaçado, Wilson Ferreira Aldunate foge para o Peru e escapa de ser a próxima vítima.
6 de dezembro de 1976
Província de Corrientes, Argentina - fazenda do ex-presidente do Brasil, João Goulart
No meio da madrugada, Teresa Goulart acorda o motorista de João Goulart, Roberto Ulrich, conhecido como Peruano. ‘‘O doutor Jango está passando mal’’, grita ela. Quando Peruano chega ao quarto de Jango, ele está de olhos fechados, debatendo-se, ‘‘como se estivesse faltando ar ou coisa parecida’’. Peruano corre até a cidade, 14 quilômetros distante. Volta com o médico, o pediatra Ricardo Rafael Ferrari. O médico examina o ex-presidente, vira-se para Teresa e informa: ‘‘Ele está morto’’. No atestado de óbito, coloca como causa-mortis apenas uma lacônica palavra: ‘‘Enfermedad’’ (em espanhol, doença).
Os tópicos acima bem poderiam ser capítulos de um romance de ficção política. Não são, porém, ficção. Por mais fantásticos que pareçam, são fatos da história política da América Latina. Mas que virarão um livro, a ser editado nos próximos meses pela Câmara dos Deputados. O livro é resultado de uma apuração feita em 2001, por uma comissão especial da Câmara, encarregada de investigar as circunstâncias da morte do ex-presidente João Goulart, deposto em 1964 pelo golpe militar. Somente agora o material apurado pela comissão foi organizado. Na última quarta-feira, o presidente da Comissão Especial, Reginaldo Germano (PFL-BA), entregou ao vice-presidente da Câmara, Inocêncio de Oliveira (PFL-PE), o calhamaço de 600 páginas datilografadas. O trabalho é assinado pelo ministro das Comunicações, Miro Teixeira (PPS-RJ), que foi o relator da comissão.
O relatório de Miro abre margem para a possibilidade de João Goulart ter sido assassinado, dentro de um plano de extermínio de líderes políticos sul-americanos arquitetado pela Operação Condor. ‘‘Não há como afirmar, peremptoriamente, que João Goulart foi assassinado. Mas será profundamente irresponsável, diante dos depoimentos e fatos aqui consolidados, concluir pela normalidade das circunstâncias em que João Goulart morreu’’, escreve Miro Teixeira.
Nos anos de 1975 a 1977, vários políticos argentinos, uruguaios, bolivianos e chilenos foram assassinados. Nesse período, morreram com diferenças de poucos meses os três principais políticos brasileiros exilados depois do golpe de 64. Juscelino Kubitschek morreu em 22 de agosto de 1976 em um acidente de carro na Via Dutra. O ex-governador do Rio, Carlos Lacerda, morreu em um hospital em 21 de maio de 1977. E Jango na sua fazenda no interior da Argentina em dezembro.
Miro reconhece uma dificuldade em relacionar as mortes dos três políticos brasileiros aos assassinatos de políticos dos demais. ‘‘Se houve assassinatos, eles foram feitos de maneira a passarem por mortes por doença ou acidente. Isso dificulta sobremaneira a comprovação de ter ou não havido assassinato’’, observa, no relatório. Os relatos, porém, mostram claramente que JK, Lacerda e Jango, ainda que tenham morrido de morte natural, estavam jurados de morte.
No caso específico de Jango, algumas circunstâncias estranhas envolvem sua morte. Àquela altura, ele já tinha escapado de uma tentativa de seqüestro. Uma dia antes de sua morte, Jango viajara do Uruguai para a fazenda na Argentina, de carro, acompanhado de sua mulher, Teresa Goulart. Seu filho, João Vicente Goulart, desconfia que o ex-presidente possa ter sido envenenado quando parou para almoçar na cidade argentina de Paso de Los Libres. Uma hipótese que ninguém à época teve o trabalho de procurar constatar. Ninguém procurou vestir Jango com uma roupa mais apropriada. Jango foi enterrado sem sapatos, com a calça desabotoada e a camisa do pijama. Seu caixão foi lacrado. Nem na Argentina nem no Brasil foi permitida uma autópsia no corpo
EX-PRESIDENTE JANGO FOI ASSASINADO PELA OPERAÇÃO CONDOR
Por CRISTOVÃO FEIL/ENVIADO POR ANTONI XAVIER 12/01/2008 às 19:05
MAIS UM CRIME DA OPERAÇÃO CONDOR
A família do ex-presidente João Goulart entrou com ação na Procuradoria Geral da República em que pede a investigação sobre o suposto complô que teria levado ao assassinato por envenenamento do ex-líder trabalhista, deposto pelo golpe de 1964 e morto no exílio, na Argentina, em 1976.
No pedido, consta uma entrevista feita pelo filho de Jango, João Vicente Goulart, com o uruguaio Mario Neira Barreiro, de 53 anos. Preso no presídio de segurança máxima de Charqueadas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, por roubo, formação de quadrilha e posse ilegal de armas. Barreiro narrou a João Vicente, durante quase três horas - em entrevista gravada - seu trabalho como agente de inteligência da ditadura uruguaia, nos anos 70. As informações estão em O Globo, de hoje.
Na entrevista, Barreiro detalhou a Operação Escorpião [subordinada à Condor], que teria levado ao assassinato:
"Não me lembro se colocamos no Isordil, no Adelpan ou no Nifodin. Conseguimos colocar um comprimido nos remédios importados da França. Ele não poderia ser examinado por 48 horas, aquela substância poderia ser detectada - contou Barreiro, que disse ter militado na "Juventude uruguaia de pé", movimento estudantil de direita, aderindo depois ao Grupo Gama, o serviço de inteligência uruguaio.
Jango morreu na madrugada de 6 de dezembro de 1976, oficialmente de ataque cardíaco, aos 57 anos, na Fazenda La Villa, de sua propriedade, na cidade argentina de Mercedes. O corpo do ex-presidente foi enterrado em São Borja, sua cidade natal, no Rio Grande do Sul, sem passar por autópsia. Há seis anos, uma comissão externa da Câmara dos Deputados investigou a morte de Jango, sem chegar a uma conclusão.
Segundo João Vicente, Jango, que era cardiopata, recebia remédios para o coração da França e freqüentava o Hotel Liberty, em Buenos Aires, onde a família passou a morar, após deixar o Uruguai. Segundo Barreiro, as cápsulas envenenadas foram postas em frascos de remédios enviados da França para serem entregues, no hotel, a Jango. Para envenenar Jango, contou Barreiro, um agente foi infiltrado como funcionário do hotel.
Para João Vicente, documentos revelados posteriormente deram credibilidade ao que Barreiro contou.
"Surgiram depois informações sobre o serviço secreto do Itamaraty, e a colaboração entre esse serviço e os de outros países, que dão veracidade ao que ele disse. Essa colaboração já existia antes da Operação Condor diz João Vicente, sobre a ação das forças repressivas dos países do Cone Sul, que levou à morte de opositores dos regimes militares nos anos 70 e 80.
João Vicente refere-se à divulgação de documentos sobre o Centro de Informações do Exterior, o serviço secreto do Itamaraty criado nos anos 60 e que vigiava os exilados brasileiros. Ano passado, a família Goulart recebeu do governo federal sete mil documentos do extinto Serviço Nacional de Informação (SNI), incluindo fotos da festa de aniversário de Jango em 1975, na Fazenda Maldonado, no Uruguai - prova de que Jango era vigiado. http://www.diariogauche.blogspot.com/
Neiva Moreira explica fatos da morte de Jango
à Comisssão na Câmara
Neiva conta como começou o terror
O exílio na Argentina e a lista de mortes
O exílio no Peru e a morte de Jango
Brasília 25/04/01 - O deputado e jornalista Neiva Moreira (PDT-MA) prestou, no dia 25/04/01 depoimento à Comissão Externa que investiga a morte do ex-presidente João Goulart. Neiva transmitiu o clima de insegurança que perseguia todos os exilados pelo regime militar e as informações que obteve de fontes diplomáticas em Montevidéu e em Buenos Aires de que o presidente João Goulart estava em uma lista de pessoas que poderiam ser assassinadasO jornalista exilou-se no Uruguai após o golpe militar de 1964, juntamente com Jango e Brizola. Ameaçado pelas forças de segurança da ditadura, Neiva teve de abandonar o Uruguai, depois a Argentina e o Peru. Países então sob o circuito da chamada Operação Condor, que dava garantia às ditaduras dos países latino-americanos. O deputado já declarou suspeitar que Jango tenha sido envenenado.
Por sua vez, o Presidente Nacional do PDT, Leonel Brizola, não depôs no mesmo dia, como estava previsto, em virtude de sua exposição realizada no dia anterior, para a Comissão do Parlamentarismo. Isso o impossibilitou de reunir os elementos novos que pretende apresentar a respeito da Operação Condor, estratégia levada a cabo pelos governos militares na década de 70, com o intuito de eliminar líderes da esquerda latino-americana e criar uma conexão que protegesse as ditaduras. Mas o Presidente Nacional do PDT garantiu que pretende depor o mais rápido possível, faltando apenas que se acerte nova data para isso. Como se sabe, Leonel Brizola é viúvo de Neusa Goulart Brizola, irmã de João Goulart.
A Comissão aprovou também, na reunião anterior, requerimento do deputado Luiz Carlos Heinze (PPB-RS), solicitando ao Itamaraty as fichas médicas de Jango existentes em hospitais e clínicas na França, Argentina e Uruguai.
Neiva conta como começou o terror
Em seu exílio no Uruguai, o deputado foi impedido de circular a revista internacional "Cadernos do Terceiro Mundo", fundada por ele e que subsistiu às sanções das várias censuras sofridas. Nesse país conseguiu editar ainda três números depois da censura, até o momento em que não era mais possível.
Exercendo a profissão de jornalista no periódico uruguaio ‘Notícias’, Neiva vivia constantemente sob o clima do terror da repressão. Narra que todos os dias era realizada uma espécie de "recenseamento macabro" onde os próprios colegas de redação se perguntavam pela ausência de um ou de outro. Sempre que não presente, a consequência lhes era óbvia. No dia seguinte estaria morto por fuzilamento ou preso.
Inserido nesse contexto, estava exilado no Uruguai após o golpe de 64, além de Neiva Moreira, Brizola e o ex-presidente João Goulart. Neiva já havia se acostumado às diversas detenções realizadas pela polícia uruguaia, tanto que carregava sempre uma bolsa com seus pertences de primeira importância. O deputado classifica sua experiência e de seus colegas de exílio como um "quadro desesperador permanente". Conta que diariamente, aviões da Força Aérea Uruguaia sobrevoavam a instância onde residia Jango.
Em suas palavras, Neiva transmitiu aos membros da Comissão e demais presentes, o gradual acirramento da tensão na política uruguaia e na formação cada vez mais evidente da Operação Condor, ainda não nomeada naquele momento. O estopim, que desencadearia todo o processo de assassinatos dos principais líderes latinos, foi a confecção de uma lista que apontava os nomes dos que deveriam ser eliminados, para o "bem da permanência das ditaduras militares."
O exílio na Argentina e a lista de mortes
Já em Buenos Aires, o jornalista exilado teve contato com aquela lista por intermédio de um diplomata hispano-americano, que prefere não revelar o nome. Ao desvelar a lista secreta a Neiva, o diplomata pediu-lhe que se tornasse o interlocutor para um daqueles nomeados para a morte. Caberia a ele a tentativa de informar o perigo que sofria aquele que a encabeçava.
O primeiro a figurar entre os nomes foi o general Prates. No clima de tensão, o editor de seu jornal, Pablo Piancentini, teve que deixar o Uruguai em 24 horas e a Neiva, na Argentina, coube a missão de transmitir a informação da lista ao general. O deputado procurou uma pessoa ligada a Prates que lhe transmitiu que ele achava aquilo tudo um exagero. Mais tarde, Neiva recebeu a notícia de que Prates gostaria de sair de Buenos Aires para salvar sua vida, já convencido da veracidade do conteúdo da lista. Foram arranjadas então as devidas passagens, mas tarde demais para salvar a vida do general, que morreu em um atentado a bomba colocada em seu carro em setembro de 74.
Da lista constava ainda os nomes do general boliviano Juan Torres, assassinado em junho de 76 seguido dos nomes do senador uruguaio Wilson Ferreira Aldunate, que morreu de câncer em 1988 e finalmente e em quarto lugar, o do ex-presidente João Goulart, morto em dezembro de 76 na Argentina.
Nesse trágico momento, dois parlamentares uruguaios foram eliminados. Foram eles Héctor Gutierrez Ruiz, deputado, e Zelmar Michelini, senador.
O exílio no Peru e a morte de Jango
Neiva Moreira afirmou não pretender com suas palavras "esclarecer por completo as circunstâncias da morte do ex-presidente, mas traçar o ambiente extremamente suspeito e favorável a eliminações de líderes políticos em que estava inserido João Goulart."
Neiva sabia que sua situação poderia tornar-se mais instável ainda. Por isso, deixou sua casa e passou a viver em um hotel em Buenos Aires, o que hoje analisa como um ato de ingenuidade, pois lhe é claro que as autoridades recebiam diariamente informações suas, por parte dos donos do hotel. No terceiro dia de sua estada, enquanto dormia, soldados argentinos arrombaram sua porta e com metralhadoras em punho bradavam que sua sentença de morte pederia ser dada e executada naquele quarto e imediatamente. Disseram: "você é muito odiado no Brasil e podemos ser considerados heróis se te matarmos agora," como conta Neiva. Mas eles lhe ofereceram um acordo: se deixasse em seis horas a Argentina, sua vida seria poupada. Assim Neiva prosseguiu seu périplo de exílio, dessa vez indo para o Peru.
A lista foi mostrada a um amigo de Jango e o jornalista lhe pediu que ele fosse avisado. Mas o ex-presidente não acreditava que fosse possível a concretização daquela arquitetura terrorista. Jango mandara seus filhos para Londres como precaução, mas só começou a perceber os perigos reais que se aproximavam a partir da morte de seus amigos uruguaios em Buenos Aires, o senador Zelmar Michelini e o deputado Héctor Gutierrez Ruiz. Como sabemos, o ex-presidente João Goulart, deposto pela forças militares do Golpe de 1964 e exilado do Brasil, morreu no dia 6 de dezembro de 1976 , em Mercedes na Argentina, numa das suas propriedades rurais, onde vivia com a família. O líder trabalhista, de 58 anos, foi o único ex-presidente brasileiro a morrer no exílio. Tinha problemas cardíacos graves e a causa mortis apontada em seu atestado de óbito, emitido por um pediatra, foi a da "enfermidad".
Neiva prefere não afirmar categoricamente que Jango tenha sido assassinado, mas diz enxergar toda uma trama que lhe parece óbvio o desfecho de eliminação do ex-presidente. "Achavam que pelo fato de ser rico, ser um fazendeiro com algumas posses agrícolas no Brasil, Uruguai e Argentina, ele era financiador de guerrilhas presentes nesses países" concluiu Neiva, que apontou ainda um fato que lhe causa muita estranheza. Quando levaram o corpo de Jango, ainda de pijama e chinelos que não foram trocados, houve dois pedidos de autópsia negados. Conta nossa testemunha desse momento histórico que "o primeiro pedido foi em Uruguaiana, por amigos de Jango e o segundo em São Borja, negado novamente." E prossegue: "com tudo isso só posso apontar João Goulart como mais uma vítima desse proceso sinistro que foi a Operação Condor" finalizou Neiva. Conheça mais sobre a Operação Condor Francisco Barroso
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Partido Democrático Trabalhista
Jango: a morte no exílio
Cibilis Viana*
“Este homem é deste planeta?” Foi o comentário conclusivo de Glauber Rocha, depois de longa e exaustiva entrevista com o ex-Presidente João Goulart. Jango causou-lhe profunda impressão devido ao seu acendrado sentimento humanista, ao grande amor por seu povo e ao seu país. Jango não fazia distinção entre as pessoas - homem ou mulher, branco ou negro, operário ou patrão, pobre ou rico. Aceitava-as com grande dose de tolerância. Sua aspiração maior era a de que todos os brasileiros desfrutassem de uma vida de paz e trabalho, vivessem em harmonia, sem ressentimentos, sem preconceitos e sem ódios. Todos, entre si, tolerantes e solidários. Assim compreendia a vida porque amava seu povo e tinha imenso apego ao seu País.
Glauber chegara a essa conclusão não pelas palavras que, muitas vezes, antes de expressar, dissimula os sentimentos; mas, sim, pelo que Jango deixava transparecer, pela expressão facial, pelo olhar, pela forma sincera, com que expressava seu pensamento, enfim pela força interior que emanava de todo o seu ser. Como Presidente, chegou à conclusão de que o País precisava de reformas. Getúlio havia lançado as bases para o desenvolvimento; Juscelino tinha posto em execução um ambicioso plano de metas; mas as desigualdades sociais se acentuavam, porque a renda nacional tendia a concentrar-se nas mãos de poucos, aumentava o número dos sem-terra e o êxodo do campo provocava o inchaço das cidades. Queria obtê-las, porém, pelo consenso, nunca pela imposição.
Conseguiu aprovar algumas, reformas no Congresso,como as do abastecimento (lei de intervenção no domínio econômico, criação da Sunab, Cibrazem, Cobral, Supra e lei dos preços mínimos); do sistema nacional de comunicação; da proteção ao trabalhador rural; lei anti-trust; e a disciplinação da remessa de lucros para o exterior. Encontrou histérica resistência ao projeto de reforma agrária e ao da reforma urbana, suas principais preocupações.
Foi sua insistência em promover a reforma agrária que motivou o golpe de 1964, depondo-o e obrigando-o a asilar-se no Uruguai. Lá Jango permaneceu 12 anos. Nunca se conformou por ser obrigado a viver longe de seu País, afastado do convívio do seu povo. Só quem viveu no exílio - brasileiro, principalmente - pode avaliar a tristeza profunda que atinge as pessoas. É uma dor permanente que não cede um só instante, mesmo nos momentos de maior descontração, qualquer que seja a situação em que esteja vivendo o exilado - no trabalho, entre familiares, durante as refeições, num encontro social.
Essa dor não localizável não o abandona, sequer no sono. Mais do que ninguém, Jango padecia desse sofrimento. Nem nos momentos que demonstrava contentamento no convívio familiar ou quando realizava um bom negócio, no que era inexcedível, sua fisionomia deixava de revelar a dor profunda que não o abandonava. Jango não conseguia compreender porque a intolerância, porque o ódio, se ele nunca discriminou, nunca perseguiu, manteve ressentimentos, muito menos cultivou o ódio. Como era de prever, a dor do exílio afetou sua saúde, justamente no órgão por ela atingido - o coração.
Nos últimos dias de vida estava decidido a retornar ao Brasil. Não queria adoecer ou morrer longe da Pátria, da terra que tanto amou. Fizeram-se gestões, invocaram seu estado de saúde, tudo em vão. A ditadura alimentava-se da intolerância e do ódio, sem o que perderia sua principal razão de sobrevivência. Apesar de tudo, Jango estava decidido. Voltaria ao Brasil, quaisquer que fossem as conseqüências.
Chegaria de surpresa à sua fazenda, em São Borja, e aguardaria as conseqüências. Por certo, seria preso. Tentariam expulsá-lo do território nacional. Preparando-se para o retorno, deslocou-se para uma fazenda de sua propriedade na Argentina, na fronteira com o Brasil, não muitos quilômetros de São Borja. E o fez, como sempre, acompanhado de sua inseparável esposa, Maria Tereza. Lá chegou na entrada da noite do 5 de dezembro de 1976, véspera de sua morte. Jantou com Maria Tereza, conversaram sobre generalidades, não disse a ela que se preparava para atravessar a fronteira. Como missioneiro, sabia como ninguém, manter reserva quando necessário.
Mais do que nunca seus planos exigiam silêncio absoluto. Mas suas intenções eram evidentes. No dia anterior fechara um negócio de alguns milhares de dólares, dinheiro com que se abasteceria no País. Se vazasse qualquer indício perceptível ao governo brasileiro, a fronteira seria militarmente fechada, o rio Uruguai inteiramente patrulhado, e sua fazenda sitiada. A noite soprava um vento forte, sacudindo toda a casa. Jango já dormia, quando Maria Teresa o acordou, pedindo-lhe que fechasse um janelão na cozinha que não parava de bater.
Depois recolheu-se, voltou a dormir, não mais se levantando. Maria Tereza encontrou-o, a seu lado, na cama, já sem vida. Jango morreu no exílio, abatido pela profunda tristeza de viver longe da Pátria. Inúmeros foram os brasileiros penalizados pelo exílio. Muitos morreram no exterior. Entre os Presidentes brasileiros, Washington Luís, Juscelino, Jango foi o único que morreu longe da Pátria, dizimado pela dor da saudade, por uma imensa tristeza. Amigos e correligionários contataram a Polícia Federal para permitir a entrada do corpo em território brasileiro, para ser enterrado no jazigo da família, em São Borja.
O coronel-chefe da PF no Rio Grande do Sul, autorizado por seu superior hierárquico, general-diretor-geral da PF no País, consentiu no traslado. Mas a intolerância e ódio ainda predominavam no ambiente militar. O coronel foi duramente interpelado pelo general-comandante do III Exército por não o ter consultado, sendo obrigado a demitir-se da chefia da PF. Não houve a revogação da medida, mas o comandante do III Exército só permitiu a entrada do veículo transportando o corpo do ex-presidente em velocidade acelerada, até o cemitério de São Borja, sem acompanhamento, onde o aguardavam seus amigos. Jango realizou seu maior desejo - retornar à sua Pátria, mesmo que o fosse depois de morto.
(*)O Professor Cibilis Viana foi chefe da assessoria econômica de João Goulart e secretário de Governo de nas duas administrações de Leonel Brizola, no Rio de Janeiro.
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Sobressalto em São Borja
Carlos Cardinal
Naquele dia 6 de dezembro perdi a motivação para comemorar o anniversário de meu pai, Leoveral de Souza Oliveira, um trabalhista de quatro costados. Logo cedo, a rádio São Luiz, na minha cidade de São Luís Gonzaga (RS) anunciava laconicamente a morte de João Goulart na Argentina. Uma emissora da capital especulava em torno de um impedimento ao enterro de Jango no Brasil e notícias de Uruguaiana diziam que autoridades federais barrariam na ponte internacional a entrada no País do corpo do ex-presidente . Num pulo fui de Bossoroca para São Borja e, ao chegar à terra dos presidentes, encontrei uma multidão entristecida e revoltada.
O povo reunido, no aguardo de novas notícias, já cogitava em repetir o gesto que no passado foi realizado em circunstancias diferentes daquele dia: cruzar a fronteira na marra e trazer Jango para ser sepultado em São Borja. Finalmente, depois de horas tensas, o governo tomou a decisão mais sensata. de não vetar o velório de Jango em sua terrnatal Só mesmo com o passar do tempo é que podemos avaliar o significado do desumano das ditaduras.
A multidão impaciente aguardava a chegada do Doutor. O sol abrasador, comum naquele período do ano na costa do Uruguai , parecia mais forte e penetrante. Além do calor havia algo maior incomodando dando todas as pessoas. O glorioso e trágico destino de São Borja, conforme a definição de Pedro Simon fez, naquele 6 de dezembro, o Brasil inteiro repensar sua própria trajetória como fizera em 54 com a morte de Getúlio Vargas Nos aglomerados humanos que tomavam conta da Praça e ruas adjacentes, as narrativas eram as mais variadas. Uns lembravam o Jango descontraído brincando nos carnavais infantis de São Borja com a Denise e o, João Vicente, rodeado por uma multidão de crianças.
Outros as noitadas musicais do Passo, ou as grandes pescarias no Rio Uruguai, outros as churrascadas no Rancho ou longos e proveitosos mates com Getúlio no exílio do Itu. Enfim, todos procuravam materializar nas recordações a figura humana do gauchão João Belchior Marques Goulart. Ouvi de Tancredo Neves a definição certeira de que na mesa de Jango nunca faltou um prato a mais para o viajante que chegasse. Li na coluna do Aparicio Silva Rillo na Folha de São Borja ue um peão de estância ,ao saber da morte de Jango, tirou o chapéu com reverência, seguiu adiante sem dizer uma palavra ,dizendo tudo.
E na memória do tempo continua a ecoar a frase que Liynâeas Maciel repetia na granja São Vicente: a morte de Jango é a prova maior da inutilidade da violência. A grande verdade é que depois daquela tragédia ficou impossível deter as lutas pela anistia e pela redemocratização do Pais. Com relação às Reformas de Base, todos nós continuamos em debite com Jango e com o povo brasileiro. Vinte anos se passaram e tenho certeza que as idéias nacionalistas e reformistas de Goulart continuam mais atuais do que nunca.
Como missioneiro, sempre tive grande orgulho em ser conterrâneo de João Goulart, de fazer aniversário no mesmo dia em que ele fazia (1º de março). Já contei da coincidência da morte de Jango o aniversário de meu pai. Pois quis, também, o destino que o trabalhista de Bossoroca , o meu pai, morresse na Argentina, num 24 de agosto, data da morto Getúlio Vargas. Verdadeiramente, como diria Leonel Brizola, com os meus quilômetros rodados na política, incluindo as fortes coincidências, encontro ainda, a cada dia que passa, mais razão para continuar janguista.
(*) Carlos Cardinal é deputado federal pelo PDT do Rio Grande do Sul e natural da região das Missões, onde fica São Luís Gonzaga, a poucos quilômetros de São Borja. .
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Caso Goulart y la pista Uruguay
Artículo publicado en "Folha de São Paulo".
Joao Goulart, ex presidente de Brasil. Su muerte es un misterio.
El periodista brasileño Carlos Heitor Cony, quien investigó la coordinación represiva de las dictaduras del Cono Sur, conocida con el nombre de "Plan Cóndor", afirmó que la dictadura militar uruguaya pudo estar relacionada con la muerte en 1976 del ex presidente de Brasil Joao Goulart.
El artículo de Cony, que se publicó ayer en el diario "Folha de São Paulo", señala que el ex agente de la inteligencia uruguaya Mario Ronald Barreiro Neira estuvo involucrado con el fallecimiento de Goulart, cuyo gobierno fue derrocado en 1964 por la dictadura militar que se enquistó en el poder hasta 1985.
Barreiro Neira "rastreó" a Goulart hasta poco antes de su muerte y "dio la señal verde para la última noche del ex presidente", indica el artículo de Cony.
El periodista sostiene que la muerte de Goulart no se produjo por "causas naturales" como se afirmó en su momento, al tiempo que considera sospechoso que las autoridades del momento no le hayan realizado la autopsia correspondiente al cadáver, según consigna la agencia ANSA sobre el artículo.
Barreiro Neira fue detenido en Brasil, junto a Ricardo Ruiz Mendieta, por una serie de asaltos a camiones blindados de la empresa Proforte, en las ciudades de Canoas y Sapucaia de Sul, luego de realizar un frustrado atraco al aeropuerto de Rivera-Livramento.
Los detenidos escaparon hacia Brasil huyendo de la policía de Uruguay que los señalaba como integrantes de la famosa "Polibanda", que realizó cuatro asaltos de gran magnitud en 1998, entre ellos al Zoológico Municipal y a la mutualista Casa de Galicia.
El periodista estima que la prisión del uruguayo era en realidad una forma velada de impedir que "ese archivo" hablara y revelara la supuesta relación del "Plan Cóndor" con el fallecimiento de Goulart".
La Cámara de Diputados de Brasil creó, hace 7 años, una comisión investigadora para esclarecer la muerte del ex mandatario.


