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FHC acena a Lula

publicada em 07 de março de 2018
ALEX SOLNIK
Alex Solnik é jornalista. Já atuou em publicações como Jornal da Tarde, Istoé, Senhor, Careta, Interview e Manchete. É autor de treze livros, dentre os quais "Porque não deu certo", "O Cofre do Adhemar", "A guerra do apagão" e "O domador de sonhos"

FHC acena a Lula



No início da ditadura militar, mais precisamente em 1966, os maiores líderes civis de partidos diferentes e diferentes ideologias, até antagônicas – Carlos Lacerda, João Goulart e Juscelino Kubitschek – tiveram a grandeza e a sabedoria de se unir contra o inimigo comum na chamada Frente Ampla.

Lacerda era conservador, americanófilo e golpista de primeira hora. Atuou diretamente no suicídio de Getúlio, o nacionalista; tentou depor JK, o desenvolvimentista; empurrou Jânio, o demagogo para a renúncia e exigiu a deposição de Jango, a quem chamava de comunista.

Mas quando percebeu que a promessa do general Castelo Branco de realizar eleições presidenciais em 1966 era balela, o que o atingia diretamente, candidato que era, deixou de lado suas diferenças com Jango e com JK e os três deram-se as mãos em nome de uma causa maior: a realização de eleições. Era a última chance de retorno à democracia. A frente, apesar de inúmeras e irresistíveis pressões durou até 1968 quando foi proibida pelo governo militar.

Na longa entrevista de hoje à Folha, concedida a Fernando Grostein, o ex-presidente Fernando Henrique faz um aceno a um adversário tradicional: diz que se pudesse voltar no tempo gostaria de se reaproximar de Lula. Embora não deixe isso explícito, eu entendi que ele não só gostaria no passado, mas que gostaria de se reaproximar dele no presente. Não por acaso fez questão de contar que almoço várias vezes com Lula em sua casinha em São Bernardo.

E isso me lembrou a Frente Ampla porque tanto naquela época, quanto hoje há dúvida a respeito da realização de eleições e a situação política indefinida leva muitos brasileiros a duvidar de que esteja em pleno vigor o estado de direito. Ele e Lula são os maiores líderes de seus respectivos partidos, que são os maiores partidos do país à exceção do MDB. Os mais aptos, portanto, a reagir ao avanço da direita.

Não importa o que aconteceu no passado. Quem falou mal de quem, quem apoiou o que ou derrubou quem. Não importa quem nem quantas vezes cometeu equívocos no governo. Não importa. Não há mais espaço para ressentimentos. Se o Brasil sair de vez dos trilhos democráticos ambos – e todos os brasileiros - têm a perder.

Ainda não caímos numa ditadura explícita como a de 64, mas militares de volta à política e a ascensão nas pesquisas eleitorais de um órfão da ditadura são sinais de que a democracia corre risco.

O caso do MDB é diferente. A sua única chance de continuar no poder não é através das urnas. Dentro das regras democráticas do voto popular ele só tem a perder.
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Alex Solnik

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