Cuba vai se defender de 'qualquer agressão terrorista', diz líder da ilha após ameaça dos EUA
Cuba vai se defender de 'qualquer agressão terrorista', diz líder da ilha após ameaça dos EUA
Folha
- Tiroteio na costa envolvendo barco registrado na Flórida terminou com quatro mortos nesta quarta, segundo regime
- Rússia diz que incidente foi "provocação agressiva" dos EUA com o objetivo de agravar situação e detonar conflito
Moscou | Reuters
Cuba se defenderá de "qualquer agressão terrorista", afirmou nesta quinta-feira (26) o líder Miguel Díaz-Canel, após um incidente na costa do país envolvendo uma lancha registrada na Flórida terminar com quatro mortos na véspera.
"Cuba se defenderá com determinação e firmeza diante de qualquer agressão terrorista e mercenária que pretenda afetar sua soberania e estabilidade nacional", escreveu ele no X. O chanceler cubano, Bruno Rodríguez, também se pronunciou na mesma rede social. "Cuba teve de enfrentar inúmeras infiltrações terroristas e agressivas procedentes dos Estados Unidos desde 1959, com um alto custo em vidas, feridos e danos materiais."

Na quarta (25), a Guarda Costeira cubana matou quatro pessoas e feriu outras seis depois que uma lancha proveniente dos EUA invadiu águas territoriais da ilha e abriu fogo contra os militares, segundo o Ministério do Interior do regime.
De acordo com a pasta, os agentes foram recebidos com tiros quando abordaram a embarcação. O capitão do barco cubano foi atingido e retirado do local para tratamento, assim como os seis ocupantes da lancha americana que ficaram feridos no tiroteio.
Horas depois, o regime afirmou que a tripulação do barco "pretendia realizar uma infiltração com fins terroristas" e que havia apreendido "fuzis de assalto, pistolas, artefatos explosivos caseiros (coquetéis Molotov), coletes à prova de balas, miras telescópicas e uniformes de camuflagem". Segundo Cuba, os feridos eram cubanos que moravam nos EUA.
"Face os desafios que enfrenta, Cuba reafirma seu comprometimento em proteger seu território, baseado no princípio de defesa nacional como pilar fundamental da soberania do Estado cubano", disse o Ministério do Interior em nota.
O regime afirma que dois dos feridos constam na lista de pessoas "submetidas a investigações criminais" e são procuradas por "sua implicação em promoção, planejamento, organização, financiamento, apoio ou execução" de "atos de terrorismo" em Cuba ou em outros países. As autoridades também disseram ter detido outro cubano que havia viajado anteriormente dos EUA para facilitar a operação e que confessou "suas ações".
A Rússia também se manifestou nesta quinta, de acordo com a agência de notícias estatal Tass. "Esta é uma provocação agressiva dos EUA com o objetivo de agravar a situação e detonar um conflito", disse a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, de acordo com o veículo.
Já o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, falou sobre a crise econômica que assola a ilha. "O principal é o componente humanitário. Todas as questões humanitárias relativas aos cidadãos cubanos devem ser resolvidas, e ninguém deve criar obstáculos", disse ele. "Quanto à segurança em torno da ilha, é claro que é muito importante que todos se mantenham contidos e se abstenham de quaisquer ações provocativas".
O incidente pode deteriorar ainda mais a relação entre os dois países, que já vinha piorando após Washington capturar o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro. Desde então, Caracas interrompeu a entrega de petróleo à ilha, levando o país a uma grave escassez de combustíveis.
O procurador-geral da Flórida, James Uthmeier, afirmou ter ordenado a abertura de uma investigação em conjunto com outros órgãos, e o congressista cubano-americano Carlos A. Giménez exigiu "uma investigação imediata sobre esse massacre".
O chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, por sua vez, disse que Washington responderá proporcionalmente ao ocorrido assim que tiver todas as informações sobre os mortos, incluindo sua nacionalidade. "Vale lembrar que é muito incomum ver tiroteios assim em alto-mar", afirmou o secretário de Estado.
Apesar da declaração de Rubio, vários casos do tipo ocorreram nos últimos anos —em 2022, por exemplo, outra lancha também proveniente dos EUA abriu fogo contra a guarda costeira cubana, ferindo um agente, de acordo com o regime.
É comum que cubanos fujam em direção aos EUA, que fica a menos de 200 km da ilha, pelo mar. O fluxo criou uma rede de contrabandistas que levam os moradores da ilha à Flórida. O regime frequentemente denuncia "violações territoriais e tráfico de pessoas" relacionadas a essas lanchas.


