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O desmatamento na Amazônia

publicada em 20 de agosto de 2019
O desmatamento na Amazônia
A estimativa é que a floresta, que se estende por seis milhões de quilômetros quadrados, em oito países, já tenha perdido um quinto de sua cobertura vegetal



Flávia Ayer




Os olhos do mundo estão voltados para a destruição da Amazônia, maior floresta tropical e com a maior biodiversidade do planeta. A escalada dos alertas de desmatamento emitidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Especiais (Inpe), órgão federal que monitora por satélite o bioma, abriu crise no governo Jair Bolsonaro (PSL), que contestou os dados do Inpe e levou países europeus a suspenderem recursos para a proteção da floresta.

Nesta sexta-feira (16), dados do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), reveleram que o desmatamento na Amazônia aumentou 15% nos últimos 12 meses, em relação ao mesmo período de 2018. Mas, indo além, qual é a situação da Amazônia?

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De dimensão continental, a floresta se estende por seis milhões de quilômetros quadrados, em oito países, sendo 60% de sua área no Brasil, ocupando nove estados no Norte, Nordeste e Centro-Oeste do país. A estimativa é que Amazônia já tenha perdido um quinto de sua cobertura vegetal. “Ela perdeu de 18% a 20% da mata nativa. E a floresta tem um limite do ponto de vista da biodiversidade. Esse limite já está batendo na conta”, afirma o doutor em meio ambiente André Cutrim, professor da Universidade Federal do Pará (UFPA).

Devastação quatro vezes maior que Portugal

De acordo com dados do Inpe, nos últimos 20 anos, foram devastados 436 mil quilômetros quadrados de floresta. Isso é quatro vezes o território de Portugal. Um risco para o bioma que abriga dezenas de milhares de espécies – 40 mil espécies de plantas, 427 de mamíferos, 1.294 de aves, 378 de répteis, 3 mil de peixes.

O recorde ocorreu em 1995, quando o desmatamento chegou a 29 mil quilômetros quadrados, mais do que todo o estado de Alagoas, que tem área de 27 mil quilômetros quadrados. Em 2012, essa taxa atingiu o menor índice (4,6 mil), mas depois voltou a crescer. De 2013 pra cá, o aumento foi de 27%, passando de 5,9 mil para 7,5 mil quilômetros quadrados.

Floresta corre risco de virar cerrado

Especialistas apontam que, nesse ritmo, o equilíbrio do bioma caminha para ser rompido entre 10 e 20 anos. “Se a gente continuar assim, algumas gerações pra frente não vão ver Amazônia, alta e verdejante. Ela se transformará em algo perto de uma mata de cerrado”, afirma o gerente do Programa Amazônia do WWF-Brasil, organização mundial de defesa do meio ambiente, Ricardo Mello.

Os alertas, emitidos pelo Inpe e que desencadearam a crise entre o instituto e a Presidência da República, indicaram em julho o aumento de 278% da área desmatada em relação ao ano passado. A área sem cobertura vegetal passou de 596 quilômetros quadrados, em julho de 2018, para 2.254 quilômetros.

Questionado pelo presidente Bolsonaro, esse sistema de alerta, que funciona desde 2004, dá suporte à fiscalização e controle de desmatamento do Ibama e demais órgãos ambientais. Por satélite, ele consegue identificar e mapear, quase imediatamente, desmatamentos e alterações na cobertura florestal com área mínima próxima a 1 hectare. A confirmação é feita pelas equipes de fiscalização, que geram novos dados para medir o desmatamento.

O impacto da agropecuária na Amazônia

Mas o aumento dos alertas este ano acendeu o sinal vermelho em relação ao patrimônio natural da humanidade. “O desmatamento da Amazônia continua sendo principalmente causado pela atividade pecuária e a especulação fundiária, com a grilagem de terra pública e a invasão de território indígena”, ressalta Mello. Incêndios também estão destruindo o bioma.
A destruição pode ter efeitos sobre o clima e a disponibilidade de água do planeta, de acordo com o especialista.

Segundo o próprio Ministério do Meio Ambiente (MMA), os rios amazônicos comportam cerca de 20 % da água doce do mundo e a floresta constitui importante estoque de gases responsáveis pelo efeito estufa. “A Amazônia é uma bomba de água. Sem ela, essa umidade vai reduzir, criando desertos. Ela também funciona como uma esponja de carbono, absorvendo da atmosfera e estocando na própria planta”, explica Mello.

O professor da UFPA aponta para a importância sócio-econômica da preservação da floresta, que pode ajudar o Brasil a crescer. “A pressão sobre a Amazônia é cada vez mais violenta. Os modelos de desenvolvimento excluíram a floresta desse processo, sendo que a riqueza de sua biodiversidade deveria ser vista como alternativa de desenvolvimento do nosso país”, diz Cutrim.


Floresta ameaçada

Tabela: desmatamento anual da Amazônia (em Km²)
1988 21.100 Início do levantamento
1995 29.100 Recorde de desmatamento
2004 27.800 Segundo maior pico
2012 4.600 Menor taxa
2013 5.900
2014 5.000
2015 6.200
2016 7.900
2017 6.900
2018 7.500

Tabela: Estados brasileiros mais desmatados
1º Pará 33,9%
2º Mato Grosso 33,1%
3º Rondônia 13,8%
4º Amazonas 5,8%
5º Maranhão 5,7%
6º Acre 3,3%
7º Tocantins 1,9%
8º Roraima 1,7%
9º Amapá 0,36%
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