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Lula, o fogo que não pegou e o que pegou, por Rui Daher

publicada em 06 de maio de 2018
Lula, o fogo que não pegou e o que pegou, por Rui Daher
O Jornal de todos Brasis



Como sempre os acontecimentos na Federação de Corporações me fazem citar o jornalista e escritor Ivan Lessa (1935-2012), em alguma de suas centenas de frases geniais.


No momento, vem a calhar uma de minhas preferidas: “A cada 15 anos, o Brasil se esquece do que aconteceu nos últimos 15 anos”. Afinal, é o mesmo período desde que Lula e o PT foram eleitos para governar o “Bananão” (o apelido, mais um de seus achados), e ainda deveriam estar não fosse um golpe de Estado, pândego em todas as suas circunstâncias e personagens, contra uma presidente reeleita democraticamente com 54 milhões de votos.


Escrevo para contrariar (novidade) todos aqueles que esperavam uma revolução social depois da prisão de Lula, na operação lava-jato (minúsculas), patrocinada por vários interesses e personalizada por embusteiros de fraca postura jurídica, baseada, praticamente, em delações premiadas, como se fazia no colégio de padres onde estudei.

A perseguição (vamos personificá-la em Lula) dura 15 anos. Começou em 2003, o analfabeto de nove dedos, monoglota (ou nem isso), sem curso superior, vindo da província pobre e brega do ABCD paulista, adepto de peladas de futebol, cachaça, arroz, feijão, ovo frito, e povo, não poderia representar o Brasil diante do mundo.

Quem não é canalha conhece como ocorreu a história do Brasil em seu período. Todos à espreita de seus erros e queda de popularidade. Nunca. Saiu do governo com nível de aprovação popular recordes e mimimi empresarial, conforme as folhas e telas cotidianas da reação e das elites econômicas, em seu acordo secular.

Hoje em dia, ele encarcerado em Curitiba, pronto a ser transferido (por quê?), redes digitais e articulistas, à direita e esquerda, reclamam de inação de seus apoiadores e da esquerda em geral. TNC.

Enlouqueceram? Seriam os mesmos que, em 1964, acreditaram que o armamento de Brizola e do IV Exército garantiriam João Goulart? Fadinhas contra os EUA, as demais corporações de casernas, o empresariado ignorante, cioso de suas propriedades e medo de perder anéis com as reformas?

Acham que hoje em dia é diferente? Congresso desqualificado, esquerda fraca e fragmentada (assim como a direita), quarteis prontos a aderir às ideias antipopulares, mídia de esgoto, Judiciário dividido por vaidades, uma perua Dodge de ferro-velho, cinzenta senhora esperando o chá das cinco e outra repetindo trejeitos elisabetanos.

Queriam o quê? O povo unido em armas combatendo o que nunca combatemos? Sangue nas ruas? Seriam os nossos.

Contentem-se. Para não esquecer os 15 anos de Ivan Lessa, pensem na indignação de Danuza Leão pelos aeroportos terem se transformado em rodoviários, o porteiro dela querer conhecer Paris (privilégio da decrépita), os churrascos na Granja do Torto, a estrela plantada por Marisa no Planalto, o mensalão, a prisão de Genoíno, a morte de Gushiken, “o cara de Obana”, junto com o turco a convencer o Irã, o pagamento da dívida externa, os 40 milhões que saíram da pobreza, nossa soberania marcada na aproximação com Américas do Sul e Central e África. Sei lá, o que mais. Talvez, Haddad, Boulos e Manuela possam citar.

Em São Bernardo, antes dele se entregar, o povo fez tudo e está fazendo, em Curitiba, o máximo possível para apoiar Lula. Tenham certeza que ele sabe disso e agradece. E vocês pedem mais, inclusive aqui, neste GGN.

Parem, pois, com suas digressões babacas cobrando mais do povo brasileiro. Ele já sofre muito mais do que quem fica “fucking around” julgando-os.

Apenas exijam e lutem por eleições livres e independentes, e s’imbora. O povo está mostrando balas e repressão sua reprovação à prisão de Lula.

Deem ao fogo que pegou no prédio das esquinas entre as Avenidas Rio Branco e Rua Antônio de Godói a devida importância. Moça que fez trabalho com os moradores de lá postou no trabalho o quanto se vivia lá em paz. Onde mais, os setores público e privado os colocariam?

Na década de 1960, minha namorada e atual mulher morava a 20 metros de lá, no Edifício Caracu. Eu, uns cem metros adiante, no Viaduto Santa I(E)figênia (até hoje, a Cúria não me esclareceu a grafia correta). De seu apartamento, ficávamos olhando os jardins da Igreja Presbiteriana, parcialmente destruída.

Terminada a construção do prédio, tornado da União, como sede da Polícia Federal, duas vezes fui lá prestar depoimento. Acompanharam-me um advogado e o repórter Roberto Cabrini, meu amigo da hora.

Esqueçam, pois, o fogo da revolução lulista. Não haverá. Façam os seus, sem rebuscamentos.
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