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Reformas de base do governo João Goulart como um programa de governo das esquerdas. Por que não?

publicada em 13 de julho de 2017


Reformas de base do governo João Goulart como um programa de governo das esquerdas. Por que não?



As esquerdas brasileira, partidária e não partidárias, brigam e não conseguem chegar a um acordo sobre um programa mínimo de governo para disputar a próxima eleição presidencial de 2018, se houver. Não precisa ser nada revolucionário, pode ser reformista mesmo, algo dentro do próprio capitalismo. Só que esse programa existe e nunca foi colocado em uso. São as reformas de base do governo João Goulart, aquele que também sofreu um golpe, o golpe civil e militar de 1964. Com exceção do voto ao analfabeto que hoje existe por força da constituição (até que alguém resolva tirar, claro), todas as outras propostas continuam novidades, nunca foram implantadas.

O professor Aldo Fornazieri no texto "Brasil não tem alma, não tem caráter, não tem dignidade e não tem um povo", publicado no saite Viomundo, no dia 4 de julho deste ano, deixa claro que não somos um país, uma população digna do nome, continuamos como gado marcado pela grande propriedade rural, sob controle da casa grande que hoje fala outras línguas que não mais só o português. Lula ganhou a primeira eleição presidencial com um cacife politico sem igual na história da república brasileira, momento este onde poderia sim, se houvesse vontade política para tal, implantar este programa de forma cabal. No entanto, para ter a tal governabilidade, OPTOU por conciliar com a casa grande, com a direita, chafurdando na lama fétida da bandidagem e corrupção que a direita sempre usou para se tornar um igual, um parente próximo, se bem que indesejável, no uso desta moeda podre como instrumento de poder. Deu no que deu.

Nos dois governos do Lula e no primeiro da Dilma, numa conjuntura internacional ainda favorável, a economia brasileira cresceu, enriquecendo exponencialmente bancos e empresários de diversos setores da economia, mantendo os juros altos para os rentistas não reclamarem. Foi um crescimento tão forte que as migalhas que sobraram foram suficientes para colocar na vala comum dos consumidores mais de 30 milhões de brasileiros, tirar da fome outros tantos milhões de famélicos, favorecer a entrada de milhares nas escolas e universidades, estimular por meio do fomento bolsa família a economia de milhares de municípios pobres nos quatros cantos do país e mais algumas outra melhorias que nunca antes haviam acontecido para a senzala mal tratada e desdentada brasileira. Foi um feito inédito no campo das conquistas econômicas, sociais, mas não da cidadania, mas não nas reformas necessárias para consolidar estas conquistas tão necessárias.

Ao invés de estimular a organização social e sindical da senzala, por ser um governo de conciliação e não de reformas, desmobilizou totalmente a sociedade nos campos onde mais ela era forte. Deixo-a mercê do governo para satisfazer suas exigências e necessidades. Deu no que deu. O golpe contra a Dilma e tudo mais o que aconteceu e está acontecendo, inclusive a condenação do Lula, foi um jogo de carta marcada. A casa grande cresceu, ficou mais rica e mais poderosa (não esquecer que foi nos governos Lula e da Dilma onde as forças repressivas mais cresceram, a Força Nacional foi criada, onde foram implantada leis mais fortes como a lei antiterror e tantas outras facilidades para o fortalecimento da repressão no país), aproveitou e continua aproveitando da desmobilização e fraqueza da sociedade civil, da senzala enfraquecida.

Em suma, mesmo com algumas pequenas escaramuças aqui e ali, pequenas e locais reivindicações etc. a casa grande deita-e-rola no país. Esperar que haja alguma comoção social pela provável prisão do Lula, objetivo maior do golpe fascista, do único candidato que a esquerda tem no país, o que já denota a fraqueza política dos partidos ditos de esquerda, é acreditar no papai Noel.

Bom, o que fazer? Ainda prevalece a tese da unidade das esquerdas brasileiras em cima de um programa mínimo para governar que não seja de conciliação com a direita, com ou sem o Lula. Talvez as reformas de base do João Goulart possam servir, se não como um programa de governo, pelo menos de inspiração. Pode ser?


"Sob essa ampla denominação de 'reformas de base' estava reunido um conjunto de iniciativas: as reformas bancária, fiscal, urbana, administrativa, agrária e universitária. Sustentava-se ainda a necessidade de estender o direito de voto aos analfabetos e às patentes subalternas das forças armadas, como marinheiros e os sargentos, e defendia-se medidas nacionalistas prevendo uma intervenção mais ampla do Estado na vida econômica e um maior controle dos investimentos estrangeiros no país, mediante a regulamentação das remessas de lucros para o exterior. O carro-chefe das reformas era, sem dúvida, a reforma agrária que visava eliminar os conflitos pela posse da terra e garantir o acesso à propriedade de milhões de trabalhadores rurais."


Fonte: http://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/Jango/artigos/NaPresidenciaRepublica/As_reformas_de_base

Jornalista e Sociólogo Carlos Eduardo Pestana Magalhães - Gato
Membro da Comissão Justiça e Paz de São Paulo
Chico Bezerra - membro do GTNM/SP e do FST/SP

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Jornalista e Sociólogo Carlos Eduardo Pestana Magalhães - Gato

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1 Comentário

16/07/2017 às 19:16
Ismar José Teixeira escreveu:
Ainda vejo a multidão naquele comício do Presidente João Goulart. Jovem aprendendo os passos da política, nacionalista igual meu pai que me levava aos encontros cívicos. Infelizmente o Brasil perdeu a grande oportunidade de se libertar.

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