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OLP aprova negociações indiretas na véspera da visita de enviado dos EUA

publicada em 07 de março de 2010
OLP aprova negociações indiretas na véspera da visita de enviado dos EUA

- EFE


Elías L. Benarroch.
Jerusalém, 7 mar (EFE).- A Organização para a Libertação da Palestina (OLP) aceitou hoje formalmente iniciar negociações de paz indiretas com Israel, um dia antes da visita do enviado americano para o Oriente Médio, George Mitchell.

"O comitê executivo da OLP decidiu aceitar as negociações indiretas", disse à Agência Efe o chefe do escritório de negociações da OLP, Saeb Erekat.

Segundo Erekat, vários membros da OLP "apresentaram sua oposição e suas reservas" ao reinício do diálogo, que será mediado pelos Estados Unidos.

De acordo com o negociador palestino, "o processo de paz não pode durar eternamente. Agora é o momento de tomar decisões".

Os negociadores e dirigentes palestinos se reunirão nesta segunda-feira com Mitchell, que está no Oriente Médio desde ontem, para "determinar como se desenvolve" o diálogo.

A rádio "Voz da Palestina" informou que Erekat será o interlocutor palestino nas negociações. Pelo lado israelense estará Isaac Molho, advogado e homem de confiança do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

Contactado pela Efe, Erekat não soube dizer quando começarão os contatos e falou apenas que a decisão está pendente do encontro com o enviado americano.

Segundo fontes do comitê executivo da OLP, quando os contatos começarem, Mitchell deve transitar entre Ramala e Jerusalém com as propostas. Não se descarta que alguma rodada do diálogo ocorra também em Washington.

A realização de negociações indiretas foi apoiada na quarta-feira pelo Comitê da Iniciativa Árabe - a oferta de paz proposta a Israel pela Liga Árabe em 2002 e 2007 -, cujos membros deram a Abbas um prazo de quatro meses.

Esta fórmula proposta por Washington dará fim a 14 meses de interrupção nas negociações de paz que israelenses e palestinos começaram na Conferência de Annapolis (EUA) no final de 2007, processo que se viu prejudicado pela ofensiva militar israelense na Faixa de Gaza entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009.

Abbas condicionava qualquer retorno ao diálogo com Israel à total interrupção da construção de assentamentos judaicos em qualquer parte do território palestino ocupado, incluindo Jerusalém Oriental.

Erekat explicou que essa condição continua de pé e se refere a "negociações bilaterais".

"Mitchell vai continuar fazendo o que fez no último ano", disse o palestino sobre o papel do mediador que o presidente americano, Barack Obama, designou quando assumiu o cargo, no ano passado.

Estas negociações também estão condicionadas, segundo o assessor presidencial palestino Yasser Abed Rabbo, a um princípio de acordo sobre as fronteiras do futuro Estado palestino ao final deste prazo de quatro meses.

Em princípio, o assunto é dos menos difíceis de resolver de todo o conflito, no qual também figuram problemas como a partilha de Jerusalém, os refugiados palestinos, a evacuação dos assentamentos judeus e a repartição das reservas de água.

Quando a decisão do comitê executivo da OLP foi divulgada, Mitchell estava em Jerusalém com Netanyahu, o qual voltará a encontrar amanhã antes de seguir para Ramala.

Na quarta-feira passada, o primeiro-ministro israelense deu as boas-vindas às negociações indiretas, mas tanto a OLP como a Liga Árabe expressaram seu ceticismo quanto a suas intenções de chegar a um acordo dado o perfil de seu Governo, formado por forças direitistas e religiosas com o apoio de uma parte do Partido Trabalhista.

"A liderança palestina decidiu dar uma oportunidade à proposta americana de tentar chegar a um acordo por meio de negociações indiretas", declarou Abed Rabbo em entrevista coletiva.

Mitchell deixa a região ao terminar sua agenda em Ramala para dar lugar ao vice-presidente dos EUA, Joe Biden, esperado na região amanhã.

O objetivo da Casa Branca é anunciar o retorno ao diálogo entre israelenses e palestinos durante a estadia do enviado da Casa Branca para que a visita de Biden possa estar centrada nas relações bilaterais, segundo a imprensa local. EFE elb/bba
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