publicada em 06 de março de 2010
A democracia e a visita do presidente
Considerado por muitos o maior historiador das Américas, o professor baiano Luiz Alberto Moniz Bandeira, palestrando em Salvador, atentou para a importância do Brasil na defesa dos interesses da América do Sul. Ressaltou que as economias mundiais funcionarão por Blocos e explicou ainda que os impérios, após atingirem o cume de sua ascensão, na curva de seus declínios, têm uma tendência a se aferrar com mais intensidade a seus dominados, fazendo alusão aos grandes impérios que dominaram o mundo, inclusive o dos EUA.
Quando o governo brasileiro aproxima-se econômica e solidariamente dos países irmãos da América Latina, visa justamente o que é nacional, pois é o fortalecimento do Bloco que garantirá a autonomia e soberania de cada um dos seus componentes.
Políticas de governo, de curto espaço de tempo, pouco podem fazer para implantação de mudanças estruturais em seus países. É sob esta ótica que se deve entender as Reformas Constitucionais na Bolívia, Venezuela e Equador . Com aprovação da maioria pelo pleito eleitoral, estes países vêm realizando verdadeiras revoluções através da implantação de tais Reformas.
O que é chamado por vezes “perpetuação no poder”, é a opção democrática, através do voto, pela continuidade de tal ou qual governante. Nesses países a democracia é participativa. A Venezuela, por exemplo, teve recentemente promulgada a Lei do Conselho Federal de Governo que transfere para as comunidades a execução de projetos de qualquer natureza, inclusive a decisão sobre recursos públicos.
No processo revolucionário cubano, as instâncias de participação popular são, em sua maioria, ignoradas pela opinião pública norteada, fora de Cuba, pelas informações da grande mídia, nem sempre fidedignas.
Há cinqüenta e um anos, Cuba trava uma luta sistemática em defesa de sua soberania constantemente ameaçada pela ação norte-americana que bloqueia a Ilha, impedindo o seu comércio com as demais nações.
Dessa forma, presença, investimentos e solidariedade do Brasil à Cuba, na pessoa de seu Presidente, deve ser interpretada como ação democrática, ficando bem distante os tempos em que se afirmava “o que é bom para os EUA, é bom para o Brasil ”.
Maísa Paranhos.