Quinta-feira, 27 de abril de 2017.

O Exílio

O difícil exílio de Jango no Uruguai foi marcado por surpresas, dúvidas e desalento. Ele tinha seguido de Porto Alegre com destino a São Borja acompanhado do general Assis Brasil e do coronel Pinto Guedes, mais dois ajudantes de ordens e do secretário Eugenio Caillard, depois da aprovação de seu impeachment. Jango a princípio não pensava em abandonar o Brasil e imaginou que, como Getúlio Vargas, viveria ali ( em São Borja) seu exílio, dentro assim do próprio país. Mas quando soube que o governo americano tinha reconhecido, rapidamente, o novo governo brasileiro sentiu que isso não seria possível. E mais: o general Assis Brasil foi categórico ao dizer-lhe que deveria tomar um destino, pois do contrário correria o risco de ser preso.

 

Goulart chegou a voar de estância em estância, no interior gaúcho, evitando patrulhas do Exército. E num diálogo, numa de suas últimas paradas mais protegidas, Assis Brasil perguntou-lhe o que, afinal, pretendia fazer. E Jango logo respondeu: “Quero ir para o Brasil Central, numa terrinha que tenho, para o Xingu”. Na realidade Jango ainda estava desorientado, mas era uma opção que o seduzia. O general tentou demovê-lo, dizendo que seria preso e confinado, possivelmente em Fernando Noronha, observando-lhe que deveria pensar na família. Diante da insistência do general, Jango questionou-o então sobre a melhor alternativa para o exílio e o general logo respondeu: o Uruguai. Ele admitiu, pois dali poderia ir para a Argentina, porque seria só atravessar o rio... O general desaconselhou de outras opções por razões de segurança e insistiu: “o senhor vai para o Uruguai” e acabou obtendo concordância, segundo relata a biografia produzida pelo historiador Jorge Ferreira.
Pela manhã, no dia 4 de abril, seguiram para o sítio Pesqueiro. Tiveram a informação de que o governo uruguaio daria asilo. Seguiram para outra estância, a Cinamomo, mas ao concluir que não tinha muitas alternativas, Jango começou a aceitar a hipótese do asilo uruguaio e escreveu uma carta, nesse sentido, ao deputado Doutel de Andrade que estava no Brasil. Ele e o general partiram, então, no Cessna para o Uruguai. Jango ainda tentou resistir, indeciso, mas o piloto e o general Assis Brasil insistiram, pois um retorno ( ou permanência) ao Brasil significaria prisão. Ao desembarcarem, por volta das 17 horas do dia 4 de abril no aeroporto da cidade de Pando, foram recebidos pelos vice-ministros de Relações Exteriores e da Defesa uruguaios e pelo embaixador brasileiro junto a Associação Latino-Americana de Livre Comércio. A instrução era para Goulart ser recebido com todas as honras. E mesmo assediado, evitou falar com jornalistas: foi para uma casa que o governo uruguaio preparara.
Antes, Maria Thereza e os dois filhos tinham desembarcado no aeroporto de Montevidéu e, apesar do cerco dos jornalistas, um amigo recebeu logo instruções de Jango para alojar a família. Primeiro para uma residência e, depois, rumo a uma casa de praia de um amigo de Jango, Alonso Mintegui, ex-funcionário da embaixada brasileira, a 40 minutos da capital. Mal os familiares se instalaram, porém, os repórteres descobriram onde estavam e até tentaram arrombar a porta tal a insistência em fotografá-la. Nesse cenário, numa situação confusa, Maria Thereza recebeu o apoio de um senhor e esposa ( vizinhos) que a aconselharam a receber a imprensa. E ela decidiu enfrentar os jornalistas, conversou um pouco, até que chegassem os seguranças oferecidos pelo governo. Confusa, ela tinha recebido algum dinheiro e foi bem acolhida e apoiada por vizinhos, após falar com os jornalistas.

 

A queda de Jango em 1964 é abordada por um dos líderes da oposição, Daniel Krieger, da UDN (partido oposicionista) no seu livro de memórias. Ele diz que, diante do agravamento do cenário político-militar no Rio Grande, o governador Meneghetti tinha se deslocado para Passo Fundo, deixando o Palácio Piratini, por medida de segurança. As notícias sobre o cenário no Rio Grande logo chegaram a Brasília e o senador Daniel Krieger preocupado procurou o presidente do Senado ( e do Congresso), Auro Soares de Moura Andrade. Este disse ao senador gaúcho, depois de ouvir seu relato, que se lhe fosse dada cobertura declararia vaga a Presidência da República. Com uma rápida articulação da oposição, o presidente do Senado abriu à noite a sessão do Congresso e confirmou a promessa: declarou vaga a Presidência, dizendo que Jango se ausentara do país sem licença. A confusão foi geral, diante da imediata reação governista que identificava o golpe. O próprio Krieger em suas memórias admite que a solução almejada fora obtida com a quebra momentânea da legalidade.
Por Carlos Fehlberg







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http://institutojoaogoulart.org.br/noticia.php?id=10876&back=1 Entrevista inédita de Jango no Exílio


161110190540_uma_coisa_chamada.docx    Matéria sobre frente ampla atual onde mostra rasgunho que está FGV de Jango sobre o tema
 





 
 
 
 
 
 

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